Posts Tagged 'Diálogos'

Eu, Frida.

“Pés, para quê os quero se tenho asas para voar?” (Frida Kahlo)

- Você não vê? Tem uma Frida Kahlo escondida aí dentro!

- Engraçado você citar a Frida, tenho pensado tanto nela ultimamente…

- Eu sei que você tem pensado na Frida. É óbvio.

- É óbvio?

- É. E mesmo assim você faz de conta que não entende. Então me perdoe se, às vezes, eu esbarro o dedo no seu cu e te incomodo, mas parece que você tá esperando um sinal dos céus e isso é muito engraçado.

- Então é isso? É divertido ficar me assistindo ser estúpida?

- É, muito! E é uma das coisas que me irritam em você e que eu gosto que me irrite. Eu quero te dar colinho mas quero enfiar o dedo no seu rabo para você sair do conforto do desconforto.

- Incrível como o desconforto pode ser mesmo tão confortável…

- Eu sei, e se eu hesito em lembrá-la do seu próprio tamanho é só porque eu só tenho a perder com isso, afinal… tudo indica que não sou o seu Diego Rivera. Mas aí talvez seja só bobagem minha.

- E por que não pode ser você o meu Rivera?

- Se pode ser só bobagem minha, então talvez não mereça que eu enumere os motivos.

- Odeio quando você é indireto…

- Eu sei.

- Numa hora dessas eu pegaria a sua cabeça e encheria de beijos.

- Encheria?

- Sim. Tudo para não ter que dar com ela contra a parede.

“Eu sofri dois acidentes graves na minha vida... Um em que um bonde bateu (...) e o outro foi Diego.” (Frida Kalho)

 

“Eu ando pelo mundo
Prestando atenção em cores
Que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar
Cores de Frida Kahlo
Cores!”

(Esquadros, Adriana Calcanhoto)
Roberta Simoni

Penso, logo…

Enquanto isso, através dessa parede fina, eu ouço em alto e bom tom os dois duelando verbalmente e não consigo decidir qual deles tem mais razão, nem quem tem maior dom de persuasão…

- (…) Mas, por que perdeu o sentido?

- Porque perdeu.

- Vai me dizer que perdeu a graça também?

- É. Perdeu. A graça. O sentido. A razão de existir…

- Não dá para perder o que nunca se teve.

- O que eu nunca tive? Graça? Sentido? Razão de existir?

- Razão de existir, talvez. Essa sua mania de querer encontrar sentido em tudo é esquizofrenia, sabia?

- Não me diga? Virou psiquiatra agora? Então me diga, “doutor psiquê”: você nunca questiona o sentido de nada?

- Não precisa fazer sentido sempre.

- Existir basta?

- Quase. Viver é o suficiente.

- E qual a razão de existir quando não há nenhum sentido?

- Se eu me fizesse essa pergunta seria como você, viveria buscando a lógica da vida e esqueceria de viver.

- Não é verdade!!! É verdade??? Ok. É verdade.

- Você pensa demais…

- Você sente demais…

- Não se ocupe tanto procurando sentido pro que eu sinto!

- Eu faria isso se não fosse o seu cérebro. E você deveria agradecer e aproveitar que tem um para usar.

- Eu usaria e agradeceria depois, nessa ordem, se você fosse mais eficiente…

- Eu seria, se você me deixasse pensar melhor…

- Eu deixaria, se você não me impedisse de viver.

- Penso, logo existo. E quanto a você?

- Eu não penso, logo vivo.

- Ou vive tanto que, logo, não pensa…

- Ou isso.

(… e agora? Quem poderá me defender de um coração e um cérebro igualmente persuasivos?)

Roberta Simoni

Da série “Diálogos Emblemáticos II”

Aquele que nunca desiste: Nunca vou desistir de ter uma noite de amor, luxúria, sedução e conversas literárias com você.

Aquela que nunca cede: Pois deveria.

Aquele que nunca desiste: Olha, se você topar, ganha até um texto de brinde!

Aquela que nunca cede: Você tá tão acostumado a seduzir com sua escrita que fica me oferecendo literatura em troca de orgias.

Aquele que nunca desiste: E nem assim você pretende ceder às minhas investdias?

Aquela que nunca cede: Não!!! Você não presta!

Aquele que nunca desiste: Ah, eu queria poder dizer o mesmo…

Roberta Simoni

Da série “Diálogos Emblemáticos”

(…)

G. – Peraí, em 97 você estava no sétimo ano?

B. – A-hã, por quê?

G. – Porque eu já estava no primeiro ano do segundo colegial e mirava as meninas do terceiro. Ih… se a gente estudasse na mesma escola eu nem te daria bola.

B. – Nem eu daria bola pra você. E eu lá queria saber dos garotos do segundo grau? Eu mirava era o professor de matemática.

G. – Claro, né? Na sua infância você era apaixonada pelo Patrick Swayze, que já era velho…

B. – Caramba, é mesmo… vem desde criança, né? Assisti Dirty Dancing mais de vinte vezes por causa dele, ai ai… (suspiros)

G. – Tsc tsc, ô menina precoce…

B. – Ah… mas hoje eu te dou todas as bolas do mundo!!!

G. – E por quê?

B. – Seu cabelo tá ficando grisalho.

Roberta Simoni


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Roberta Simoni na Janela…

Pode ser que você entenda o que eu digo. Pode ser que não. Pode ser que você goste do que eu escrevo. Pode ser que não. O que não importa muito na verdade, porque eu não vou parar.

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