Fazendo as pazes com as palavras

Doidas e SantasComeço meu texto agradecendo à Martha Medeiros, que através de suas deliciosas crônicas me fez voltar a sentir entusiasmo para escrever, depois de ler – na verdade devorar – o seu livro “Doidas e Santas” em algumas horas.

Sempre tive uma relação muito cordial e saudável com as palavras, tantas as escritas quanto as lidas, a não ser, é claro, na época da escola, onde quase tudo (leituras, estudos, pesquisas) era feito por obrigação, pelo menos no meu caso, que nunca fui lá uma aluna muito aplicada. Mas, credito à criação dos blogs o fato de ter me aproximado ainda mais das palavras.

Há mais ou menos uns 7 anos quando criei meu primeiro blog, repleto de inutilidades e, provavelmente, infantilidades, passava horas a fio escrevendo nele, e não sentia o tempo passar. O fato de poder dividir minhas idéias, opiniões, devaneios e sentimentos com outras pessoas que, na maioria das vezes eu sequer conhecia, me entusiasmava. Ler suas opiniões a cerca dos temas que eu escrevia, normalmente relatos do meu cotidiano, era muito interessante. Era como escrever um livro e interagir com o leitor. Facetas do mundo virtual…

De lá para cá, vários blogs foram criados, recriados e abandonados, cada um por um momento ou circunstância diferente, e a vontade de escrever ainda lá, latente, porém dormente.

Hoje, escrever deixou de ser hobbie para se tornar profissão, função, obrigação. Olha ela aí de novo: a obrigação. Talvez essa palavrinha mágica justifique a minha tentativa de fuga do mundo das palavras.

Agora, cá entre nós, é um despeito uma jornalista se dar ao desfrute de escrever apenas para viver. Isso desmoraliza a nossa classe. Mas espero ser perdoada, agora que esse tempo já passou, e eu finalmente fiz as pazes com as palavras.

Roberta Simoni