Ela não se importa…

Acabei de assistir a dois filmes, o primeiro aluguei em DVD – Mais do que Você Imagina, e o segundo estava passando no Telecine, e acabei assistindo por acaso – Ligeiramente Grávidos.

O que posso dizer sobre o primeiro? Não vou dizer que joguei dinheiro fora pela locação, muito menos que gostei. Em suma: não mudou minha vida. Apesar de ter no elenco estrelas como Antonio Banderas e Meg Ryan, não escapa de ser totalmente “água com açúcar”.

Quanto ao segundo, confesso que me surpreendi positivamente. Já havia visto várias chamadas dele na tevê, mas sempre olhei meio torto, com a impressão de se tratar de mais um daqueles projetos de comédia romântica que não passam de uma piada sobre o amor. Ligeiramente Grávidos é um filme leve e tem tudo para parecer improvável, mas consegue te convencer do contrário, além de transmitir as mensagens de forma sutil, o que, na minha opinião, torna o contexto mais interessante.

A cena que me chamou a atenção em especial foi um diálogo entre pai e filho, onde o filho, que acaba de descobrir que será pai, se queixa de não ter planejado ter um filho e que sempre imaginou a sua vida de outra forma, e é interrompido pelo pai, que – sabiamente – diz: “a vida não tá nem aí para o que você imaginou, ela realmente não se importa…”

Percebi que é um raciocínio quase lógico e matemático. Quantas vezes as coisas acontecem do jeito que queremos? Quantos dos planos que fazemos se realizam? E quando se realizam, saem exatamente da forma que imaginamos, onde imaginamos, com quem imaginamos? Raramente, não é?

Não somos nós que ditamos as regras do jogo, e temos noção disso. Mas, ainda assim, planejamos e criamos metas durante toda a vida, até porque viver sem um plano é como viver sem nenhum objetivo, e sem objetivos, tudo perde o sentido, começando pelo momento em que acordamos.

Mas, espera aí, qual o sentido de planejar se quase nada sai do jeito que queremos ou esperamos?

Acho que a vida por si só tem o papel de nos ensinar a sonhar, desde muito cedo. E esses sonhos se transformam em planejamentos, e é aí que entra a nossa ingênua idéia (ops, ideia… sorry!) de estabelecer metas e datas, e vamos ainda mais além: criamos cenários e personagens imaginários em cima da realização desses sonhos, quando a única coisa que temos o poder de fazer é seguir em frente tendo nossos objetivos em mente, sem fertilizar muito a nossa imaginação para não gerar muitas frustrações durante o percurso.

Talvez o segredo esteja em acreditarmos que seguindo na direção que escolhemos, a vida nos reserva boas surpresas pelo caminho, mesmo que, de cara, elas não pareçam ser tão boas assim.

E se o nosso objetivo inicial nunca chegar a ser alcançado é graças à essas surpresas, que sem planejamento algum, mudam completamente a nossa direção, rumo a novos objetivos, que, na verdade, escondem o verdadeiro sentido por trás de tudo.

Roberta Simoni

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