O que é ser feliz?

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Eu venho tentando ser feliz. Afinal, não é esse o objetivo final de toda busca?  Todo sonho não é pautado em cima do desejo de uma realização, da expectativa por um final feliz?

Eu não devo ser mesmo muito diferente de toda a humanidade, e lamento por isso. É uma pena me encontrar comum, me aceitar tão igual, e enxergar a minha semelhança naqueles que me cansam, que não me atraem, que não me instigam.

Eu não tento ser diferente, não quero chamar a atenção, e não é sempre que quero ser notada. Quero apenas ser eu, e saber o que é isso. Ser eu. Sem doçura e sem dureza, sem prazer ou frigidez. Apenas sem explicações e sem sentido, sem nada sentir, sem ter que dar sentido a nada, sem decifrar. Apenas entrar em contato, me ver, me ser, me ter. Ser feliz.

Mas essa busca desenfreada pela felicidade como objetivo de vida me causa cegueira, me esgota e me confunde. Afinal, a felicidade plena existe? Eu só posso encontrar a felicidade dentro de mim, como virou clichê dizer? O que é felicidade?

Segundo o dicionário, felicidade significa “estado de quem é feliz”. E o que é um estado senão um “modo de estar”? Se ela é, então, apenas um estado, pode ser mais do que um momento, uma circunstância, um instante ou um sopro? Será que ela é capaz de se transmutar em estado permanente? E se a felicidade for um encontro, uma descoberta, um conhecimento ou reconhecimento? E se for um presente, uma dávida, uma virtude?

Ser feliz é algo concreto, apalpável? É matéria? Ou seria abstrato? Não passa de um rótulo? É criação divina ou humana? É sutil, vago, simples ou complicado? É efêmero? É eterno? É uma sentença? É o começo, ou o fim de tudo?

E o que eu vou fazer depois que eu for feliz? 

Roberta Simoni