Obrigada Fal…

Minúscilos Assassinatos e Alguns Copos de Leite

Eu sinto uma espécie de gratidão pelos escritores dos livros que leio, quase sempre é assim. A não ser quando largo a leitura pela metade, ou até mesmo quando estou quase no fim do livro e sequer fico curiosa para saber o que acontece no final, e o lanço em algum canto da casa até ficar esquecido e empoeirado. Normalmente, quando isso acontece, é porque eu me esforcei o bastante para entender, sentir ou gostar do livro, absolutamente em vão, e então eu o abandono, sem o menor peso na consciência. Felizmente isso é coisa rara de acontecer.

E com a as palavras da Fal Azevedo não poderia ser assim, impossível. Quando comecei a me envolver com o livro Minúsculos Assassinatos e Alguns Copos de Leite, logo de cara, li até a metade, e quando percebi que só faltava a outra metade para acabar, resolvi parar.

Parei porque estava bom demais e eu não queria que acabasse tão rápido. É como um momento de felicidade que a gente sabe que não vai durar para sempre, e teme, fazendo de tudo para que se prolongue e dure o máximo de tempo possível. Besteira! Comecei a ler outros livros, mas não adiantou, eu já estava envolvida com o outro, e tive que voltar para os braços dele. Foi o que eu fiz. E foi muito bom enquanto durou.

A contracapa do livro diz que “Não é comum o surgimento de uma voz literária genuinamente única. Fal Azevedo é um desses casos raros.” Concordo absolutamente.

Mas quem sou eu para falar de Literatura? Uma simples leitora, expectadora dessa arte indescritível, assumidamente viciada nos últimos tempos, que hora anda com a cara enfiada em livros, hora escrevendo seus devaneios, quase incapaz de se aprofundar em qualquer uma dessas coisas, porque talvez tenha medo de saber demais, de aprender demais, e não saber o que fazer com tudo isso, com tanta informação, com tanto sentimento. Mas, ainda assim, se sente capaz de indicar a leitura dessa verdadeira obra literária, e indica de olhos fechados, sem medo de errar.

Numa dessas tardes chatas de domingo, enquanto o André estudava qualquer coisa no computador, eu me encontrava jogada no sofá, lendo o livro da Fal. Pelo menos era onde eu estava fisicamente, porque àquela altura eu já estava absolutamente inserida no contexto do livro, às vezes, às gargalhadas, outras vezes, porém, aos prantos. Que delícia!

Até que, depois de me ver chorar aos montes, André, me olhando assustado, comentou – “Nossa, esse livro é pesado, heim!”. E eu respondi – “Pelo contrário, ele é leve, mas profundo, e tudo que é profundo emociona muito e profundamente, mesmo que, aparentemente, seja algo tão simples.”

É assim que eu defino este livro. Ele é, ao mesmo tempo, arrebatador e delicioso.

E como eu poderia ser ingrata àqueles que me proporcionam tantas emoções? Tantas descobertas, revelações, tantas transformações… Certas leituras, assim como certas experiências, me transformam, me fazem experimentar sensações como se eu as tivesse vivendo. E tudo isso é tão divino.

Por isso, obrigada Fal, muito obrigada.

Roberta Simoni

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