Brigadeiro de Panela

Brigadeiro de Panela

O que uma simples panela com brigadeiro esconde?

Além das calorias exorbitantes, cair de boca num brigadeiro de panela esconde um desejo simples, no entanto, com uma capacidade incomensurável de fazer uma reles mortal, como eu, imensamente feliz.

No meu atual estado físico – esteticamente falando – ir até a cozinha, ligar o fogão, acender o fogo,  jogar dentro da panela uma colher de margarina, três colheres de chocolate em pó e uma lata de leite condensado, depois mexer tudo isso por alguns minutinhos, não requer muitos gastos calóricos e energéticos, em compensação, requer um enoooooorme desgaste e preparo psicológico.

Quando a versão gordinha do meu cérebro me avisa – “Hummmm, Beta, tô com vontade de comer aquele brigadeiro que você faz!”, a versão consciente rebate – “Não, Beta, você não vai comer brigadeiro nenhum. Tem noção do quanto isso engorda?”

Aí começa um debate frenético na minha cabeça. A versão gordinha tenta convencer a versão consciente de todas as formas, e vice-versa. E eu, calada, assisto a discussão delas e concluo que as duas têm razão, afinal. Só que, nessa briga, não dá para todo mundo sair ganhando.

A Versão Beta Gordinha alega que a vida é uma só, e que não suporta mais viver sufocando seus instintos e se privando dos seus desejos em prol de uma vida saudável e de prazeres limitadíssimos. Enquanto a Versão Beta Consciente se defende dizendo que não aguenta mais ceder às vontades da minha versão gorda e que depois é ela quem exerce o papel chato de me fazer sentir uma jubarte na hora de vestir uma roupa justa que, por sua vez, não consegue mais ceder meio centímetro sequer.

As duas estão cobertas de razão, eu sei. E eu estou aqui pensando numa forma de não despertar a fúria da minha versão consciente, enquanto me atraco com a panela de brigadeiro e faço a alegria da minha versão gordinha que saiu ganhando, só pra variar. 😡

Preciso pensar numa solução rápida, antes que a minha consciência me posicione estrategicamente frente ao espelho, me torturando e fazendo as minhas formas onduladas e as minhas dobrinhas-nada-sexy se envergonharem de sua infeliz e inútil existência.

Enquanto não encontro uma saída inteligente, só consigo pensar numa coisa: o meu brigadeiro é bom pra cacete !!!

Ahhhh… a modéstia eu esqueci de colocar na panela. Sabia que estava esquecendo de alguma coisa!

Roberta Simoni