Não sou freira, nem sou puta.

Nem Freira, nem Puta

Você tem que ser assim, tem que agir assado, deve fazer aquilo, precisa se comportar como aquilo outro. Assim, assado, aquilo, aquilo outro, tudo balela, puro rótulo. A maturidade tem me ensinado como é delicioso poder ser eu mesma sem precisar seguir um paradigma, ainda que eu me transmute o tempo todo.

Eu já ouvi bons e maus conselhos, e já segui todos dois, como já ignorei também. Já fiz coisas boas e ruins. Me esforço para trabalhar alguns traços da minha personalidade que me sabotam, tento melhorar, mudar. E mudar nunca é fácil, muito menos imediato, mas, pelo menos existe a vontade para começar. Mas, quando essa vontade passa longe de me tomar, nem adianta tentar, o sorriso fica amarelo, a expressão forçada, o interesse dá a impressão de forjado, a satisfação soa falsa, as palavras saem mecanicamente.

Eu não sou “automatizada”, não tenho um botão de liga e desliga, embora eu concorde que ter um botão desses em determinadas situações facilitaria bastante as coisas, como diz a minha amiga .

Eu consigo me comportar conforme exige a etiqueta, sou capaz de obedecer as regras e respeito as leis, mas quando eu não quero, eu não quero; quando eu quero, eu confesso; quando eu sinto, eu demonstro; quando eu discordo, me manifesto; quando eu acho que não está bom, eu reclamo; quando eu preciso falar, nada me cala; quando fico indignada, eu não escondo; quando eu preciso fazer, eu quebro regras;  não sou sempre politicamente correta; não me comporto da maneira que se espera e não falo o que as pessoas desejam ouvir.

Eu sobrevivo mesmo não sendo benquista por todos. Ser mal vista, mal interpretada e mal julgada não me fazem ser diferente, tampouco modificam a minha vida ou me estimulam a seguir um protótipo. Até porque, mesmo se eu me moldasse conforme os padrões da sociedade, eu continuaria sendo vista do jeito que cada um quisesse me ver, ou seja, ainda de maneira distorcida e equivocada.

Fama de porra louca? Tudo bem.  Exagerada? Careta? Radical? Feia? Bonita? Gorda? Gostosa? Inteligente? Ignorante? Forte? Frágil? Engraçada? Ousada? Abusada? Santa? Puta? Rude? Franca? Boa nisso? Péssima naquilo? Na minha constante transformação, eu posso ser cada uma delas, ou todas ao mesmo tempo, sob diferentes aspectos. Ou simplesmente nenhuma. Tudo depende exclusivamente da maneira que escolhem me enxergar. Aí já não tem mais nada a ver comigo, muito menos com as minhas escolhas.

A minha escolha é simples:  não abro mão da autenticidade.

Roberta Simoni

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11 comentários sobre “Não sou freira, nem sou puta.

  1. É verdade Pepeco, quando não está satisfeita, quando precisa falar, nada te cala. Essa é Beta!
    Você se retratou de maneira fiel.
    Ninguém pode dizer que vc é falsa que não é confiável, pois
    transparência não lhe falta.
    Mas está certa mesmo, não tem que se preocupar em agradar a ninguém, faça isso se desejar, se o coração mandar e seja feliz!
    Ótima crônica, criativa e despojada.
    Você é fera!
    Seu livro será um sucesso!!!
    Mil bjs com saudade e amor!
    Mamy

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  2. Não podemos nos perder do que somos e do que queremos apenas para agradar a esse ou aquele indivíduo. Somos seres pensantes, apesar de nem sempre racionais, e não vamos desperdiçar esse dom nos calando.
    Parabéns pela firmeza, pela autenticidade e pelo belissimo blog.
    Obrigada pela visita e os elogios ao meu Borboletário.
    Voarei por aqui mais vezes.

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  3. Pingback: coisas sérias e banalidades « sobre as coisas

  4. Eita…mas tá falando de mim gente??? Ou nós, mulheres modernas, cansamos de ‘fazer tipo’? Um dia desses falei pro meu chefe, depois de expor minha opnião (que não foi muito bem aceita), que se, pra ficar rica, tivesse que fazer tipo, iria morrer pobre!Imagina a cara dele…kkkkkkk…Olha, sou sua fã! Uma frase que cai como uma luva pra vc…”Nada substitui o talento”. Parabéns!!!!

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  5. Excelente! um aprendizado para “a legão de indecisas” que vagueam perdidas. Já fui uma dessas. Viví ,desde o desabrochar da minha sexualidade, numa “prisão” de: Moça não faz isso, não faz aquilo,etc. .Acontece que eu sentia tudo aquilo que pregavam ser proibido, feio e pecado. Não deixava de fazer às escondidas e muitas vezes fui punida. Dentro de mim ficava a “culpa” de certos atos praticados. Libertei-me quando conhecí o segundo homem da minha vida. Hoje faço o que quero, tenho vontade e não prejudique ninguém. Sou mulher livre,sem ser prosmiscua. E repito: Nem puta e nem freira. Valeu! Ana Rosa

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  6. amei o texto, é assim exatamente que me sinto.
    Me lembrei de um texto mais ou menos assim, sou 70% doida 30% santa,extremamente feliz.Sou uma doidinha bacana e altruísta.
    Pari, eduquei as crianças.Tento administrar tudo com bom humor . Não gosto de seguir padrões. A vida está para ser vivida e vale a pena gente ser feliz.
    Procuro ter pós conceitos e não preconceitos.
    Cecília

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