Pulando fora!

Caindo fora!

Que se danem as minhas inseguranças. Se são inseguras, que caiam, se machuquem, se quebrem e se partam ao meio. Que continuem confusas e atordoadas as minhas incertezas. Que se arrepiem inteiros e gritem de pavor os meus medos. Que arda, queime, corte e doa a dor que veio para ser sentida. Que se apertem, se empurrem e se atropelem de tanta ânsia essas ansiedades aflitas. Que se se ferrem, não estou nem aí. Estou pulando fora…

Se eu tento controlá-los, eles é que me controlam, é sempre assim. Então, eles que se virem sozinhos. Eu quero ver todo mundo se organizar por conta própria aí dentro, quero ver o circo pegar fogo… quero ver sobrar espaço pra todo mundo sem que eu tenha que colocar ordem nesse barraco, quero ver !!!

Aposto que a ansiedade vai ser a primeira a pular do barco, de todos, ela é a menos intolerante. A incerteza vai ficar no convés se decidindo se pula ou não pula. E o medo vai ficar falando pra ela: “você não vai ter coragem de fazer isso, vai?”. A dor vai perguntar ao medo: “Isso vai doer muito?” e o medo vai dizer: “Claro que vai. Essa água deve estar congelada e cheia de tubarões, além do mais, você não sabe nadar, e morrer afogado deve ser horrível”. A dor vai ficar entusiasmada e vai mergulhar de cabeça no mar, sem pensar duas vezes. A incerteza vai escutar a conversa do medo e da dor, e vai pensar: “se é tão incerto o que pode acontecer lá embaixo, então, lá é melhor do que aqui”, e finalmente decidirá pular. A insegurança só vai pular depois que vir os outros pulando. E o medo, que não queria pular de jeito nenhum, vai ficar apavorado quando perceber que ficou sozinho no barco, e vai pular também.

Você passa a vida inteira tentando controlar esse bando de sentimentos desocupados, que só servem para perturbar o juízo, quando não é um, é o outro e, às vezes, são todos ao mesmo tempo. Cada um a seu modo, tentando chamar mais atenção. E aí começa uma guerra de orgulho entre eles pra ver quem manda, quem é mais forte e mais poderoso, e você no meio, tentando separar a briga e acalmar os ânimos. Tenta fazer com que te ouçam e te obedeçam, mas é claro que todo mundo te ignora. E aí, você é quem passa a ser controlado por eles.

Mas, o que ninguém nos ensina e custamos a descobrir sozinhos é que os sentimentos podem até ser mais fortes e parecerem bem maiores, mas são totalmente dependentes de nós. Eles só crescem porque damos “casa, comida e roupa lavada”. E, em troca disso, eles nos controlam. Aí, se paramos de cuidar deles, eles não sabem como se virarem sozinhos.

Marmanjo vivendo na proa do meu barco sem pagar nada, e ainda querendo mandar no marujo e na tripulação toda, não dá, né? Francamente. Prefiro deixar o meu barco livre para as alegrias darem suas gargalhadas escandalosas sem que ninguém reclame, para os prazeres terem espaço para se esticarem e pegarem sol o dia inteiro e depois se atirarem no mar para se refrescarem, para o amor poder exclamar suas poesias sem que ninguém o chame de brega ou piegas, para a euforia poder preparar aqueles drinques deliciosos enquanto a paz toca Bossa Nova na sua velha viola. E quando decidirmos parar em alguma praia, a segurança vai poder escolher onde ancorar.

Roberta Simoni

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2 comentários sobre “Pulando fora!

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