Ruas de Outono

Outono

Andei sumida, eu sei… juntou viagem no feriado, com carro quebrado na estrada, no meio da madrugada – e no meio do nada – , debaixo de muita chuva e frio. Eu e minhas roupas ensopadas tentando empurrar o carro, depois congeladas e cheias de lama, esperando o reboque chegar, batendo o queixo.

É claro que não podia dar em outra: voltei completamente “gribada”. O que eu não contava era receber aquela visita mensal uma semana antes do esperado. Já não basta ser desagradável, ela também faz questão de ser inconveniente, porque nunca vem sozinha, está sempre acompanhada de muita cólica e um tiquinho de mau-humor… um tiquinho só, claro!

E esse frio que tem feito? Gente… carioca não está acostumado a sentir frio de verdade, não! Carioca nem sabe o que é inverno direito, e sabe menos ainda o que é inverno em pleno outono! Apesar de gostar mais do verão, eu não desgosto do inverno ou, pelo menos, não desgostava. Confesso que ultimamente não tenho curtido, só faço espirrar da hora que levanto até a hora que vou dormir. E tenho tido tempo demais para sentir frio e pensar…

E eu tenho pensado muito nesses tempos frios, tanto que talvez os meus pensamentos estejam tão gelados a ponto de resfriarem não só a mim, mas ao meu coração. Não é só o corpo que nunca se sente suficientemente aquecido, independente da quantidade de pano que eu vista, o coração também anda precisando de um aquecimento mais eficaz.

Nessa época do ano eu ando pelas ruas mais distraída do que o normal, observando o alto das árvores com enormes galhos vazios e as calçadas que mais parecem um tapete de folhas secas. Acho lindo. O outono tem uma tristeza poética que me fascina: o céu melancólico, com seus tons de cinza, sem a companhia das graciosas nuvens, soprando um vento frio, espalhando folhas mortas pelas ruas, despindo os galhos das árvores, assoviando o silêncio…

Mas eu, graveto que sou, sinto falta das minhas folhas verdes, das minhas flores coloridas. Elas que me aqueceram e me enfeitaram durante todas as outras estações, agora estão caídas pelo chão, esperando o vento frio assoprá-las para longe de mim. Eu, nostálgica que sou, queria poder me desgrudar dessa árvore e resgatar as folhas de volta pra mim, mesmo secas, mesmo mortas. Eu, medrosa que sou, queria me esconder do frio atrás delas como fazia antes. E eu, esquecida que também sou, preciso do outono para me fazer lembrar que as folhas não são eternas, e que precisam morrer para dar lugar às folhas novas.

O outono tem a difícil tarefa de “limpar a casa”. Ele sai varrendo tudo, jogando tudo fora, deixando a casa vazia e tão espaçosa a ponto de sobrar espaço para a solidão. Pega as flores que marcharam e as folhas ressecadas que ainda estavam presas ao galho, e arranca uma por uma. E os galhos sentem, lamentam porque já estavam apegados, mas sobrevivem… mesmo no frio.

Eu venho preparando meus galhos para uma nova folhagem, o frio é só uma parte desse processo… e é nas “ruas de outono que os meus passos vão ficar…”

Roberta Simoni

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5 comentários sobre “Ruas de Outono

  1. Queridaaaaaa
    tu voltou! que bom, eu estava já ficando preocupada.
    entendo que esse outono que estás sentindo (por fora e por dentro) possa estar te deixando mais recolhida, mas dá uma saudade danada de ler teus textos!

    boas melhoras na gripe.
    e que tu possas rebrotar todinha cheia de flores!

    beiju grande!

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  2. Irmazinha,embora hj comece o inverno para todos,vc sabe que aqui a gente não vai deixaar o frio te castigar tanto…
    Estamos aqui pra qd vc não suportar mais o outono e estiver ansiosa por calor,pelo menos pelo q vem da nossa saudade e do nosso amor!
    Beijossssssss!

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