Era uma vez uma janela…

– Você deveria voltar a escrever, já disse…

– Eu sei, mas…

– Mas o que, Beta? Você vai me dizer que não tem tempo? Enjoou do seu blog de novo? Não tá inspirada? O que é dessa vez?

– É… isso tudo aí que você disse. Faz um layout novo pra mim, faz? Quero tentar escrever outra vez, mas preciso me mudar pra uma casa nova!

– Outro blog? Já criei vários blogues pra você, pô!

– Eu sei, e eu te amo por isso. Prometo que se você criar um cantinho novo pra mim, eu volto a escrever. Você poderia fazer um layout de um jeito que…

– Espera! Tenho uma proposta: crio o seu blog novo, mas eu escolho tudo. Inclusive o nome, o endereço, e gostando ou não, você vai ter que escrever nele.

– Fechado!

E foi assim que ele abriu uma nova janela na minha vida. Dessa vez, a janela de cima, do alto, de onde eu pudesse ter uma visão mais ampla desse mundo que se revela cada vez mais maluco, de onde eu tivesse que correr o risco de cair. Era o que ele queria: que eu temesse cair, e mesmo assim eu me pendurasse, me arriscasse… e me atirasse se fosse preciso, como tantas vezes me atiro, de corpo e alma (mais alma do que corpo, é bem verdade).

Ele provoca o meu instinto criativo, desafia o meu trauma de exposição na internet, ri da cara da minha insegurança, me empurra no abismo, e ainda diz, sorrindo, que empurra porque sabe que eu tenho asas.

Obrigada por isso, meu amigo. Por enxergar as asas que, nos dias nublados, eu sou incapaz de ver.

O nome dele? Marcello Sampaio. Gravem esse nome, esse moço poeta, escritor e cineasta ainda vai dar muito o que falar.

… E, contrariando as expectativas, este blog completou um aninho de vida no dia 05 deste mês (!!!). Um ano inteiro de atualizações não regulares, porém, bem mais frequentes que nos meus quase 8 anos anteriores de blogueira.

E esta semana, como presente de aniversário, a Janela de Cima recebeu o comentário de uma leitora que, ao que parece, já lê os meus escritos há algum tempo, mas só agora resolveu se revelar, não só pra mim, mas pra ela própria, diante do mundo. Copio aqui um trecho:

“Roberta, eu não a conheço – a não ser pelos textos do blog – mas venho lendo seus textos – quase todos – e me identifico muito com o que você escreve, com você! E não é só porque fazemos aniversário no mesmo dia! (…) Precisava lhe escrever para te dar os parabéns pelos seus textos, suas fotografias, e também quero agradecer por se tornar uma das pessoas que me inspiram! Graças a você decidi finalmente abrir meu blog – e não foi por falta de vontade, mas sim de coragem ! (…) Mais uma vez, valeu mesmo por escrever! Não pare! Espero, assim como você, não só me expressar, mas inspirar alguém, mudar algo, fazer diferença !”

Ariane: sou tão grata a você por me ler quanto você é grata a mim por eu escrever. E minha gratidão vai além: obrigada, de coração, por, além de apreciar o que escrevo, dividir comigo uma coisa tão especial. Saber que, de alguma forma, minhas palavras te encorajaram a escrever, é qualquer coisa de maravilhoso.

Não pense que vai ser fácil, pois não será. Não o ato de escrever em si, mas o ato de se descobrir, se desvendar e, ainda mais, se revelar diante dos outros. Mas também não pense em desistir, te garanto que será uma experiência única, da qual muita gente passa por essa vida sem experimentar: o auto-conhecimento! Vai com tudo, Ariane, e depois me conta o resultado, combinado? 😉

Outro dia eu recebi um outro comentário, no mínimo curioso, sobre uma narrativa que publiquei aqui. Nele o autor dizia que o texto era bom, porém apelativo.

Well… tirando o texto que escrevi sobre o enfermo (esse aqui óh!), onde eu apelava para que a minha mãe me socorresse caso lesse o meu blog, pois eu estava infernalmente gripada e carente, não lembro de ter feito outros apelos por essas redondezas, de todo jeito, é bom esclarecer: eu não escrevo com a intenção de apelar, convencer, persuadir. Pra falar a verdade, eu nem tenho intenções ao escrever, eu simplesmente escrevo. E é bom, intenso, “é vasto, vai durar”.

Aos meus leitores que me lêem desde os primórdios da Blogosfera, seguidos daqueles que me “descobriram” ontem, meu muito obrigada e o meu melhor sorriso pelos comentários cheios de estímulo, carinho e até cumplicidade, pela troca de boas energias, boas ideias e conversa fiada da melhor qualidade.

Essa janela de arranha-céu, que não possui grades e não é segura, de onde tantos, mesmo assim, se penduram para acompanhar os meus devaneios, às vezes é luz, outras vezes escuridão, abre-se em momentos indeterminados, e fecha-se também. Aqui dentro vive essa moça incompleta, apoiada na janela assistindo assustada o mundo lá embaixo, outras vezes encantada, sempre sonhando com paisagens novas e cada vez mais bonitas, para seus olhos enxergarem e refletirem o que vêem.

Obrigada, meus queridos, por serem a extensão dos meus olhos…

Roberta Simoni

♪ ♫ ♪ ♫ ♪ “Da janela lateral, do quarto de dormir…” ♪ ♫ ♪ ♫ ♪