Ou você tem, ou não tem.

(…) “É claro que eu chorei, sofri, tive o meu coração partido em pedaços incontáveis, tive o impulso de te ligar, de te xingar, de perguntar como você foi capaz de fazer isso, de te escrever um e-mail malcriado, mas nada do que a gente faz quando está fora do nosso controle pode ser bom. E eu não quero te insultar, ainda que você mereça os adjetivos mais insólitos e os xingamentos mais sórdidos.

Mas hoje eu não estou muito disposta a falar palavras chulas. Sorte sua a vida já ter me ensinado algumas lições das quais faço uso agora. A primeira delas: desrespeito não se resolve com desrespeito. A segunda: rebaixamento de nível é um desperdício e até uma maldade com os meus nobres saltos altos.

E eu até poderia me sentir no direito de te dar uma lição de moral, de como respeitar os outros, ou como ser uma pessoa digna, mas, mas, mas… tudo isso é uma questão de caráter e isso não se aprende. Ou você tem, ou não tem.”

E foi escrevendo esse trecho do e-mail (que não está na íntegra!) que eu, sem querer ensinar, acabei aprendendo uma lição. Já falei disso aqui outras vezes e, volto a dizer: não canso de me surpreender com a magia que existe no ato de escrever, pois foi quando escrevi (isso aí foi há meses e já passou, viu gente!?!) sobre o caráter ser algo que não se aprende é que finalmente aprendi – na teoria, pelo menos – que tentar ensinar índole a seja-lá-quem-for é total perda de tempo e desperdício de energia.

Certas coisas ou nascem com você, ou você segue os exemplos que tem em casa, ou a vida te ensina na marra. E se nenhuma das alternativas anteriores for válida, esquece! Você nunca vai aprender. E isso serve tanto para as características boas quanto as ruins. Não adianta tentar convencer um cara honesto de que roubar é bacana que ele nunca vai tirar um centavo do bolso do sujeito mais rico do planeta. Da mesma forma que não adianta falar o contrário para um ladrão. Vai entrar por um ouvido e sair pelo outro. Simples assim. E isso não vai sequer passar perto de ficar grudado na cera do ouvido do sujeito, o que dirá ser filtrado pelo cérebro.

E aí a gente vê que tá sempre perdendo um tempo precioso com um bocado de “paus que nasceram tortos e que nunca vão se endireitar”. Então, que eles sejam felizes com suas características tortuosas. E eu continuo com as minhas, desse jeito bem “porta ambulante” para múltiplas coisas que as pessoas gostariam muito que eu tivesse talento, mas eu, definitivamente, não tenho. Seja para o bem ou para o mal. Sorry!

Uma verdade incontestável: todos somos casos perdidos para uma coisa ou outra. Azar o nosso. Ou pura sorte!

Roberta Simoni