Mais uma intensa no mundo…

Tá bom gente, eu sei, vocês sabem, e qualquer um que não sabe, nem precisa ler muitas linhas da minha vida para perceber: sou emoção à flor da pele.

Já começou errado quando, ao nascer, eu senti falta de alguma coisa entre as minhas pernas. “Ihhhh, ferrou, nasci mulher” – pensei, instantaneamente. Depois compreendi: se eu nascesse homem e tivesse tamanha sensibilidade, teria minha sexualidade sendo posta à prova o tempo inteiro, coisa mais desagradável… Ok., fui poupada disso, thanks! Posso chorar em público, posso abrir o berreiro assistindo “Marley e Eu”, posso receber flores, posso falar livremente de amor, posso me derreter toda e falar – medonhamente – dengosa (e no dimunitivo, of course!) ao me deparar com bebês bochechudos e com criaturas peludas que abanam o rabo, não preciso me preocupar em ter que não “dar pinta”, posso usar a TPM como desculpa para surtos inesperados…

No entanto, tenho que aturar essas desgraças de hormônios descompensados, tenho que consultar o calendário para verificar a proximidade do período menstrual para tentar entender o porquê de eu ter começado a chorar, do nada, no meio de um restaurante lotado. Sou influenciada pela sociedade feminina a gastar meu tempo pensando em casamento, filhos e casa perfeita, enquanto poderia estar por aí, simplesmente tomando uma  loira gelada com os amigos, me divertindo vendo uma cambada de homens “coxudos” correndo atrás de uma bola, uma bolinha só. Tão mais simples!

“O quêêêê? Você não quer casar? Hã? Não se vê vestida de noiva? Como assim na praia? E a cerimônia na igreja?” Calma, eu posso explicar: não é que eu não queira casar, eu até acho que pode ser muito legal se acontecer, só não fico pensando nisso. Não me vejo vestida de noiva porque, sei lá, nunca fui pedida em casamento (tá tá… já fui, mas não oficialmente, então não conta, pedido de casamento de verdade incluí romantismo, ora, só assim vale!) então, gasto meu tempo imaginando coisas mais prováveis, mas ahhhhh… acho até que posso dar uma noiva ajeitadinha. Sim, sim… casar na praia, de sandálias havaianas, de short e camiseta, na beira do mar, quer coisa mais romântica? Topo, claro que eu topo casar na igreja se o suposto noivo fizer muuuuuuita questão, nada contra.

A verdade é que meus comportamentos se alternam entre completamente mulherzinha, e cabra macho (sim sinhô!). Aí, quando a mulherzinha que habita no meu âmago começa a se esvair em lágrimas, o cabra macho chega, olha nos olhos dela e diz, curto e grosso: “Seja homem, rapá!”

Eu adoro a praticidade dos homens, o jeito mais leve de levar a vida, a natureza livre deles… e não só aprecio, como pendo para esse mesmo lado da força masculina, só (me) espio pra não ficar prática, leve e livre demais, e não perder o ponto da sensibilidade, como muitos homens perdem, e deixam a receita do bolo desandar.

Aí, me vira uma moça querida e diz que não passa um dia sequer sem pensar em mim, porque olha para sua filha e me vê, todo dia. Sua intuição materna diz que a Júlia será “eu amanhã”. Acho lindo na hora, mas depois me preocupo, pergunto se isso, afinal, pode ser considerado bom e saudável (temerosa da resposta dela, claro!). Ela diz que no começo ficava bastante assustada, mas depois passou a achar muito bom…

A Júlia também bate com a cabeça na parede quando contrariada, tem gênio forte, não aceita não como resposta, é ativa e hiperativa e tudo nela é muito intenso. (ô gente… me descreveu, foi?). Tirando a parte de bater com a cabeça na parede, que parei de fazer tem um tempinho, depois de muito uso de psicologia infantil, todo o resto continua igualzinho.

E por que ela acha bom ser mãe de uma criatura assim, que esbandalha todo o resto da energia dela? Porque, segundo ela, prefere sua pequena desse jeito, pois assim, a Júlia é também intensamente feliz.

Pronto, né? Danei a chorar de emoção e alegria. E respirei aliviada: a receita do bolo está a salvo.

(e a pergunta que não quer calar: em que pé andará o meu ciclo menstrual, heim?!? tcham tcham tcham tchaaaaam…)

Roberta Simoni