Os entretantos menosprezados

“(…) As vezes apareciam raparigas. Oportunidades. Bem intencionadas. Dispostas a esquecer que eu já tinha vivido o meu ‘grande amor’ – como chamam ingenuamente ao amor da nossa vida. Bonitas. E colaboradoras. Se o amor não chamava por mim, chamavam elas. Aos gritos, se fosse preciso. Umas diziam ‘Ama-me’, outras ‘Nem que seja só um bocadinho’ e havia algumas, muito boas raparigas, que facilitavam mais ainda: ‘Não me importo se não me amas. Deixa-me é eu amar-te.’ Foge. Essas eram as piores.

As figuras que eu fiz. Até ficar azul de lhes explicar que, se eu ficava parado, sem saber por onde andar, era por estar preso a um passado que nunca mais chegaria ao fim. E elas, logo: ‘E entretanto?’

Era uma boa pergunta. ‘Bem, entrentanto…’

Às vezes julgo que, de todos os tempos que temos, os entretantos são os mais menosprezados.”

(O Amor é Fodido – Miguel Esteves Cardoso)