É você, a razão e o porquê.

Pense num amor muito, muito, mas muito grande. Pensou? Então… é maior.

É assim o nosso amor. Quando eu penso que já não tem mais pra onde crescer, ele se estica, e, de tão elástico, vem aqui todas as noites, me beijar antes de dormir.

Eu fui embora pra tão longe, parti tantas vezes e todas as vezes te deixei com o coração partido, me jogando beijos do portão, sem conseguir disfarçar o aperto no coração. Me pediu pra eu ligar quando chegasse e pra eu não demorar a voltar, mas eu sempre demoro demais. Me abraçou forte, me deu um beijo demorado na testa e me fez prometer que eu me cuidaria. Prometi, mas é claro que não acreditou. Ninguém me conhece tão bem quanto você a ponto de saber que eu não sei me cuidar direito.

Me acordou cantando Bossa Nova, abriu a cortina para o sol me ver e deixou a porta aberta para o cheiro do feijão entrar. Ahhhh, você preparou a minha comida favorita, não foi? Fez o meu suco de maracujá com bastante açúcar, abasteceu a geladeira com caixinhas de todynho e botou o pote de nutella na mesa do lanche. Sentou à minha frente, ficou me olhando comer com prazer e me perguntou como tem sido os meus dias. Falei sem parar. Contei do trabalho, dos meus novos projetos, dos amigos que tenho feito pelo caminho, da bebedeira do último sábado, da ressaca terrível no domingo e da estupidez que cometi na semana passada. Esperei que me reprovasse, mas só concordou que fui tola outra vez e manteve a mesma ternura no olhar.

Filha de Vera, a primavera chegou junto com você que, há cinquenta anos, torna o mundo mais florido, minha bela margarida despedaçada, de infância ferida que teve tantas pétalas perdidas. Cresceu sem ser regada, teve sede, murchou tantas vezes, pensou que fosse secar para sempre, mas se viu girassol quando, na primavera seguinte, nasceu seu primeiro botão de rosa, e depois, quando no inverno, brotou sua segunda flor, tão fora de época, mas recebida com o mesmo amor. Uma rosa, a outra vermelha. Regou suas flores como nenhuma outra jardineira, se emocionou ao vê-las desabrocharem tão saudáveis no seu jardim, mas teve que deixá-las florirem o jardim da vida, onde se despedaçaram tantas vezes quantas voltaram para serem cuidadas por ti.

Foi com você, minha linda Elizabeth, mulher com nome de rainha e fibra de guerreira, que eu aprendi a amar, que eu aprendi a ser gente. Foi você o meu primeiro amor. É você o meu grande amor. E sempre será seu o meu amor maior, nessa e em quantas vidas nos forem dadas.

Cresci achando que eu tinha a melhor mãe do mundo, hoje eu sei um bocadinho mais sobre o mundo e descobri que tenho muito mais do que isso. Sou a sortuda que foi gerada pela mais fantástica das mulheres, das covinhas mais lindas que já vi na vida. Tenho a melhor parceira e amiga, o cafuné mais gostoso que existe, o melhor purê de aipim do planeta, o colo mais aconchegante, o cheirinho incomparável de mãe, o amor que não se mede, que não se esgota, que vai além.

Já cheguei ao mundo vivenciando o encontro mais importante da minha vida: o de nós duas. Você me alimenta com os sentimentos mais genuínos.

Ai de mim se não fosse você, Dona Beth… ai de mim!

Mãe, veja bem, é você a razão e o porquê.

Roberta Simoni

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20 comentários sobre “É você, a razão e o porquê.

  1. Lindo, lindo, lindoooo….aplausos… ”plac”… ”plac”… ”plac”.
    Não posso escrever mais, pois minhas mãos estão enxugando minhas lágrimas(emocionei)!!!!
    Bjos em vc e na mamys linda que um dia vou conhecer =D

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  2. eu passo um tempo sem passar por aqui e dai num domingo quando só eu estou acordada, passo por aqui… e choro!
    ainda bem que tá todo mundo dormindo! =)

    beiju querida!

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  3. Eu sempre fico imaginando como deve ser sua mãe, tamanho o amor que, desde que te conheci, vc sempre demonstrou ter por ela. Além de estar chorando horrores, tô aqui pensando que na vida Deus não dá maior presente para ninguém. Por mais que quisesse Freud não acharia palavras para explicar “maternidade”. E eu, eu te amo pq vc é assim, esse poço de sensibilidade, essa cópia fiel da dona Beth, que todos amam tanto. Saudades infinitas…

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  4. Não? Você não está tendo um delírio. Eu estou por aqui mesmo, matando a saudade de você.
    Minha pequena grande Beta. Suas palavras tem enorme poder por que veem do coração. Daí, todo mundo que lê, se estiver com o coração aberto, sente a mágica que é te ter. Te amo.

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    • Eu deveria colocar um aviso no começo deste post dizendo: “Atenção, texto altamente chorável. Cuidado!”

      Juro que não tive a intenção de fazê-los chorar, meus amores, mas como poderia ser diferente se eu mesma me acabei de chorar enquanto escrevia essa declaração de amor? Acho que quando a gente escreve com o coração, seja com amor, ódio ou paixão, isso se torna altamente transmissível para o leitor.

      Obrigada pelas palavras de carinho, meus queridos. Vocês são tudo!
      Beijo carinhoso em cada um.

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  5. Bem, tudo aqui é passado, mas ainda é presente, e ainda o será daki a 10 anos,20, 30 anos, isto do que aqui se fala nao morrerá jamais, amor materno,( até parece que mata né ? m a t e r n o , rsrsrs, tenham certeza, q mãe mata mesmo pelos seus filhos viu ? ) antes, esse amor será repassado hereditariamente, vejam, os passos delas, são iguais,a beleza da mãe, já era e se confirma na filha hoje , sorriso lindo da mãe que hoje( nesta foto a Roberta tá séria…)está em várias fotos da filha,e esta fotografia ? quem bateu ? o gosto pela arte da fotografia foi herdado tambem ? lindo texto, emocionante, real, verdadeiro, vivo…quantos gostariam de poder expressar seu amor pelas mães assim…ou mesmo, vou mais longe, sentir esse amor assim, amor de gratidão, amor de adoração, amor de admiração, amor de heroina…de mãe pra filha não é raro encontrarmos assim, mas amor de filha pra mãe, expressado assim é dificil. o pensar, o falar e o viver um sentiemnto tão lindo não é pra todos. PArabéns por serem assim,às duas.Taí, amor de mãe sabemos: materno; de pai: paterno; de irmãos; fraterno. e amor de filhos pela mãe e ou pelo pai ? como se chama ?

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  6. Betita,

    Acho que é por ter essa mãe – que eu tive a sorte de conhecer – que você não entende o meu relacionamento com a minha… sabe essa coisa de colo? De amor, mesmo? Eu tive o azar de ter uma mãe que parece ter raiva de ter tido filhos pra dar trabalho. De nunca – NUNCA! – nada que eu fizesse era suficientemente bom.
    Por sorte, tive um avô que se orgulhava de cada uma das minhas pequeníssimas conquistas. Tento ser uma boa mãe – quase o revés da minha, não fosse por ela ter cumprido bem o seu papel de me educar e alimentar; mas não de amor, não de colo, não de cuidado. A que me coube, sempre, sempre, me deixou culpada pelas minhas escolhas. Sempre me criticou demais. Acho que foi com ela que eu aprendi os princípios de autossabotagem que me auto inflijo.

    Ainda bem que inventaram – amo tio Freud – essa tal psicanálise. Finalmente estou aprendendo – à duras penas – que sou eu que tenho que me dar valor, porque o meu velhinho fofo, aquele que dizia: – vai fundo; se tudo der errado eu estou aqui pra te salvar; não tá mais aqui. Que bom que tem você, amiga. Que bom. Te lovo, viu?

    E parabéns pra dona Beth. Amor e cuidado são a melhor coisa que a gente pode ganhar de presente de nascença!

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