… e se atira lá de cima!

“Ah Beta… você é muito mais atirada na vida do que eu. E se recupera muito melhor e mais rápido!”

…Será?

Eu sei que me atiro feito bala de canhão em tudo, só não sei se me recupero melhor e mais rápido quando o tiro sai pela culatra. Sim, porque minha pontaria ainda não é das melhores. E para melhorar, só atirando. Ainda que isso inclua me atirar e, fatalmente ou felizmente, me atingir em cheio.

Mas, sabe? A vida segue… Relutante tantas vezes, fazendo pirraça, querendo ficar onde está, permanecendo estacionada em local proibido só por preguiça de rodar para procurar outra vaga, mas segue… cedo ou tarde segue. No meu caso, cedo, quase sempre, porque maior do que a preguiça de procurar uma vaga é a minha preguiça de ficar parada por muito tempo até ver o reboque chegar e me tirar a força de lá.

Talvez ela tenha razão… talvez eu me recupere mais rápido do que a maioria das pessoas que conheço, talvez pela prática de me atirar, talvez pelo vício da adrenalina, talvez porque eu sempre sobreviva após cada atirada incerta. Mas um dia se morre, talvez não disso, mas se morre… e uma coisa, pra mim, é certa: se a vida sempre há de seguir, quer queira, quer não, prefiro continuar seguindo com ela desse meu jeito atirado a ter que ficar sempre parada vendo-a passar por mim. O movimento é vital.

E é gostoso me balançar daqui de cima! Ainda agora deu vertigem, mas já passou… é que eu estava me movendo rápido demais e fiquei tonta… aí eu parei o balanço e me dei conta de que estava indo mais depressa do que o mundo lá embaixo. Comecei a impulsionar meu corpo devagar para frente e para trás…

O vento não tá batendo agora, tá fazendo carícia no meu rosto e vai assoprar mansinho aqui no meu ouvido quando quiser que eu me atire do balanço e voe de novo, e de novo, e de novo…

Roberta Simoni