Cidade Apática

Eu tive sorte de não ter de voltar para casa sozinha numa noite como a de hoje. A chuva me fez companhia. Chove desde o ano passado aqui no Rio, sem parar. O sol insiste em não voltar das férias que resolveu prolongar em algum lugar longe daqui e a cidade parece ainda dormir. Quem já acordou para 2011 anda sonolento, sob o efeito de algum calmante.

Embora eu adore a chuva tanto quanto adoro o sol, definitivamente todo esse cinza não combina com a gente. Só faz aumentar a preguiça de começar mais um ano. Sem ânimo. As pessoas, os bichos, as árvores, as ruas molhadas e até os postes estão com a cara amarrotada de sono, bocejando. E eu ando achando tudo muito estranho.

Cariocas não gostam de dias nublados.

Hoje eu senti como se estivesse andando pelas ruas de Londres, não que eu conheça Londres tão bem assim, na verdade eu nem conheço, mas vejo nos filmes toda aquela beleza triste. Quem já viveu lá confirma: “se você não se cuidar, aquele lugar te deprime.”

Nesses primeiros dias do ano o Rio de Janeiro anda assim, com cara de quem acabou de acordar de uma noite mal dormida. Letárgico, dormente, apático. Nós, robôs, marchando lentamente ao trabalho, indiferentes, ainda com a cabeça nos problemas do ano passado e nos planos para o ano que vem. Parece que ninguém mais cai no conto do “ano novo, vida nova” por aqui. Pena. Eu queria cair.

Roberta Simoni

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7 comentários sobre “Cidade Apática

  1. É… Este fim de ano entreguei os pontos e a preguiça não passa… Ahh Drummond me ensina o tal milagre da renovação. Nem mesmo mudar de casa, iniciar pós, nada tem trazido euforia de começar o ano. Concordo contigo pode mesmo ser essa chuva que também tem deixado esse interiozinho de SP que eu tanto amo, nostálgico, daqui a pouco vou mofar e tudo bem desde que eu esteja em casa.

    Que o seu ano seja lindo, recheado de realizações e coisas gostosas… Daqui a pouco o sol volta e a preguiça passa, espero.

    Bjim

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  2. É verdade, cariocas não gostam de dias nublados. Eu sempre me esqueço disso, garota da serra que sou. Por aqui a chuva e o cinza são meus aliados: eu estaria morrendo com os costumazes 40 e tantos graus de janeiro.

    Ainda que eu não a atribua à chuva, tenho eu também sentido a letargia de início de ano. Sequer consigo me concentrar em leituras e escritas, e tudo o que eu disse que ia fazer e já estou furando. Minha desculpa é uma crise de amidalite, mas eu sei que é mais que isso: é a preguiça combinada com o medo de “vai começar tudo de novo”.

    Mas uma hora até da preguiça temos preguiça, não? Vou pegar uma caneca de café e tentar começar meu dia.

    Beijo.

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  3. Gabs Venturieta, minha linda…
    Use a crise de amidalite como desculpa daí, eu uso a chuva e outros tantos outros daqui. Temos todo o direito do mundo de levar ainda “mais cinco minutinhos” para levantar da cama e trocar os lençóis de 2010 por outros limpinhos de 2011.

    Me passa um pouco de café?

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