Isto não é uma crônica!

Hein?

Aviso aos navegantes: esse post é, sobretudo, sobre nada. Mas a vontade de escrever foi maior do que a minha habitual falta de foco e a minha recente (e passageira) falta de objetividade. Portanto, em caso de sensação de perda de tempo ao fim desta leitura (caso você queira prosseguir), lembre-se: eu avisei. 

Três espinhas inflamadas no meu queixo, as quais eu batizei de Três Marias: Maria Ordinária, Maria Cretina e Maria Bruaca. Essa última, a Bruaca, é a mais dolorida e é tão feia quanto a Cretina e a Ordinária, mas é pior do que todas juntas, não só pelo fato de ser a mais dolorida, mas por ser a única que me incomoda quando sorrio.

Sorrir não tá difícil hoje só por causa da Maria Bruaca, mas porque eu acordei acompanhada de uma melancolia sorrateira, que me abraçou de conchinha pela manhã logo que abri os olhos, assustada com o telefonema que algum infeliz fez para o meu celular às 8h da madrugada num dia em que eu podia ficar na cama até mais tarde. Alguém que, do outro lado da linha, provavelmente discava o meu número por engano e que, ao ouvir minha voz, desligou o telefone, me deixando acordada com essa melancolia sem lógica. Se ainda fosse mau humor faria algum sentido.

Cada vez mais tenho a certeza de que eu vivo numa realidade paralela quando estou dormindo e que essa vivencia influencia na vida que eu levo acordada. E a vida que eu levo acordada tem sido a mais linda das vidas que eu vivi nos últimos dias. – Sim, porque eu vivo uma vida diferente a cada dia, ou várias. – Linda, sim. Cheia de sonhos, esperanças e até aquele sentimento do qual eu sempre andei tão desprovida: fé.

É que eu aprendi a falar baixinho quando eu sinto qualquer coisa parecida com felicidade.

O céu da minha boca tá arranhado, a minha língua tá queimada, engordei três quilos em duas semanas, ainda não sei como vou pagar meu aluguel no mês que vem, carrego três espinhas inflamadas no meu rosto e, mesmo assim, pasmem!, estou bem. Mesmo quando acordo e sou surpreendida com uma melancolia deitada ao meu lado na cama.

Essa semana eu quebrei um porta-retrato, um copo, um termômetro e um cinzeiro. Sorte minha não ser de vidro, embora eu também seja altamente quebrável. Eu sou uma mistura ensandecida de sentimentos e sensações. E quem não é? A diferença é que eu presto muita atenção em tudo o que sinto, talvez por isso eu escreva, já que eu abandonei a terapia porque a minha terapeuta parecia ser mais frágil do que eu e todos os objetos que andei quebrando juntos.

Eu venho sentindo a passagem dos dias nos últimos tempos (ou do tempo nos últimos dias) com uma intensidade quase brutal. Ansiedade: efeito colateral de todo Dezembro, só que esse Dezembro em especial, por ter tanta coisa em jogo. E não, eu não tô falando do fim do mundo, apesar de saber que não seria mau negócio se ele acabasse, mas não agora que eu tô sonhando com Janeiro. Não agora que eu voltei a sonhar…

Roberta Simoni

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