Oficina de Escrita Criativa

Dia 08 de maio vamos dar início a uma nova turma de oficina literária através do Terapia da Palavra. O curso será ministrado por mim e pela também jornalista e escritora Maria Rachel Oliveira.

Nosso próximo módulo será uma introdução à escrita criativa, baseado no livro Palavra por Palavra, da Anne Lemmot; em exercícios da Oulipo (Oficina de Literatura Potencial, iniciada na França na década de 60) e práticas já consagradas no Terapia da Palavra. 

O curso é online, portanto, qualquer pessoa de qualquer lugar do mundo pode participar, mas as vagas são limitadas!

Para obter maiores informações e fazer sua inscrição, clique aqui.

Passando pela janela…

Não passo por aqui há um tempo por motivos de: estou escrevendo. A-há! Achou que eu fosse dizer que estou sem tempo, atarefada com o trabalho ou com preguiça, etc… aquela minha mesma ladainha de sempre, né? Mas a verdade é que – pasme! – eu ando mesmo escrevendo. Só não tenho publicado quase nada do que escrevo porque, bom… logo logo eu conto. Prometo! 😉

Na semana passada escrevi um artigo para o site Amor Crônico (onde sou uma das autoras colaboradoras), e pensei em compartilhar aqui na Janela de Cima, de onde ando tão sumida e pra onde sempre volto, por mais que demore um pouquinho, porque vivo saudosa desse cantinho.

Então, chega de conversa e vamos ao texto, que você logo vai descobrir que continuará sendo uma longa e divertida conversa. Vem comigo que no caminho eu te explico!

[…]

O amor é lindo. Às vezes.

Via Amor Crônico

O amor tem cara de bicho

Oi, Leitor. Vou te chamar assim, de Leitor, com essa maiúscula aí na primeira letra porque não sei o seu nome próprio, então vou te batizar de Leitor até que eu descubra seu nome. Isto é, caso você queira se identificar ao final deste texto. Fique absolutamente à vontade quanto a isso, pois eu estou totalmente confortável aqui, falando e você aí, lendo, mesmo sem talvez a gente ainda nem se conhecer.

Então, Leitor, eu não sei quantas vezes você já acessou esse blog, quantos textos já leu, não sei qual é o seu perfil, qual o seu estilo preferido de narrativa, não sei o que você espera encontrar quando você entra num site chamado “amor crônico”, mas, me colocando no lugar de alguém que entra aqui pela primeira vez, suponho que espere encontrar textos falando sobre amores crônicos. Viajei? Ou para você, a palavra crônica é só uma alusão ao gênero de narração?

Fato é que andei lendo nossos textos (incluindo os meus) mais criticamente – e agora corro o risco de ir para o paredão das escritoras e ser eliminada deste espaço crônico pelas minhas parceiras autoras – e notei que andamos falando mais do amor em sua beleza e plenitude do que propriamente em sua essência crônica e aguda. O que me levou a pensar: o amor sempre é belo, a vida sempre é bela, nós somos todas belas ou andamos floreando um cadinho a vida pra ela ficar mais agridoce?

É claro que todas nós temos vidas distintas e vivemos momentos distintos. De modo que vivenciamos o amor de forma absolutamente diferente umas das outras a julgar pelo momento que atravessamos. O mesmo vale para você, Leitor, que pode se identificar ou não com o que você está lendo dependendo da fase que você está atravessando agora, certo? Certo.

Sendo assim, caro Leitor, deixo aqui um aviso para que você decida prosseguir ou não adentrando comigo por entre essas linhas retas repletas de raciocínios tortos: este texto é sobre o amor num estilo mais próximo ao de Miguel Esteves Cardoso em “O Amor é Fodido” ou ao de Charles Bukowski em “O Amor é um Cão dos Diabos”. Obviamente não me comparando a nenhum desses dois gênios literários, apenas fazendo uma singela menção a abordagem de amor feita por eles nesses clássicos. Não se preocupe, pois você não precisa ter lido nenhum desses livros para saber que não estamos falando aqui do amor na sua forma mais poética e romantizada, uma vez que os títulos são totalmente autoexplicativos, não é mesmo?

Eu, que já falei do amor tantas vezes, eu, que sou criatura assumidamente sentimental e passional, eu, que acho o amor uma coisa tão linda, essencial, esplêndida, maravilhosa (e creia-me: não existe qualquer vestígio de ironia nessa afirmação), eu, que preciso de amor para viver, eu, que acredito em toda forma de amor, eu, que aposto todas as minhas fichas no amor, devo assumir: o amor, muitas vezes, é mesmo um cão dos diabos.

Você, Leitor, que ainda continua aí, não se sinta mal por achar que o amor, às vezes, passa longe de ser divino. Você não está sozinho. Alguma vez você sofreu por amor, Leitor? Sofreu, né? E quando isso aconteceu, alguém deve ter dito a você que se fosse amor de verdade, não te traria sofrimento, não é? Pois é. Mas isso não é verdade! O amor quase nunca é um mar de rosas. Que o amor é fogo (que arde e não se ver e blá blá blá…) todo mundo sabe, mas se ele vai aquecer o seu coração ou se vai incendiar a sua casa, nunca se sabe. Algumas vezes ele vai te levar ao céu. Outras vezes, direto para o inferno, sem escalas. Amor é coisa de matar e morrer, de fazer muita gente sã perder o juízo, a cabeça e até o famigerado amor próprio.

Têm dias que amar é o maior desafio de todos, têm dias que amar é um verdadeiro ato de coragem.“Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Beleza. Bora amar o próximo, mas dá pra não ficar tão próximo assim, por favor? Imagine-se amando aquele seu “colega” filho da puta lá da firma, aquele cretino que te deu uma fechada no trânsito hoje mais cedo ou aquele safado que se aproveitou para te dar aquela roçada básica no ônibus lotado hoje de manhã. Pois é.

Nem precisamos ir tão longe, né Leitor? Às vezes é difícil amar até mesmo quem a gente ama muito, muito mesmo. Quem normalmente a gente ama genuinamente, sem precisar fazer qualquer esforço. Você me entende, Leitor? Sabe aqueles dias que amar o seu próximo mais próximo vira uma verdadeira missão? Amar seu filho lindo quando ele esgota toda a sua paciência. Amar sua mulher incrível quando ela está no auge da TPM. Amar seu maridão quando ele faz aquela grosseria gostosa e gratuita com você. Amar a sua simpática sogra ou a sua adorável mãe quando elas se intrometem desenfreadamente na sua vida. Amar o seu cãozinho fofo quando ele faz cocô no seu tapete persa. Amar o seu gatinho quando ele destrói o seu sofá novinho.

Entenda uma coisa, Leitor: amar é uma arte. Agora, entenda outra coisa: não é todos os dias que acordamos artistas. Ou vai me dizer que você se sente sempre inspirado, Leitor? Que todos os dias seu coração está cheio de amor pela vida e por todos os seres vivos? Bom, então vou para de te chamar de Leitor e vou passar a te chamar de “E.T.” a partir de agora, pode ser? Corta essa! Só estamos eu e você aqui, não tem ninguém olhando, não precisa fazer cena!

O amor costuma exigir sacrifícios enormes e eventualmente ele vai deixar o seu coração partido, em frangalhos. O amor não vai ser lindo todos os dias. Eu aposto que você sabe disso, Leitor, mas se você ainda não sabe, eu, que já criei certa afinidade contigo depois de todas essas linhas, me sinto na obrigação de te alertar: têm dias que o amor vai ser fodido, amaldiçoado, dolorido, feio e vai ter cara de bicho.

Ele vai te meter medo, vai te assustar e te fazer sentir dores em partes do seu corpo que você nem supunha que existiam. Mas sabe o que é mais louco nisso tudo, Leitor? É que essa porra de amor continua sendo a coisa mais alucinante, maravilhosa e intensa que eu, você e qualquer ser humano já chegou perto ou vai chegar de sentir na vida. No fim das contas, Leitor, o amor é o que faz da gente parte de um mesmo todo, é que nos aproxima e me faz estar aqui escrevendo e você aí, lendo. É o que faz a gente começar tudo de novo, todos os dias, apesar de tudo, apesar de todos, apesar de mim e de você.

Vai entender, Leitor, vai entender…

Roberta Simoni

Oficina Literária

Terapia da Palavra - Janela de Cima

Amigos leitores e leitores amigos,

Tenho uma novidade bem bacana:

A partir do dia 18 de fevereiro, em parceria com a também jornalista e escritora (e idealizadora do projeto), Maria Rachel Oliveira, estarei oferecendo uma Oficina de Escrita Criativa – Crônica e Texto Livre, com o objetivo de colocar as emoções e as ideias pra fora. Nesse módulo, cada exercício foi pensado visando despertar o lado direito do cérebro para novas possibilidades.

Como as aulas e as tarefas serão realizadas virtualmente, qualquer pessoa, de qualquer lugar do mundo pode participar.

Para quem sente aquela vontade de escrever, mas se sente intimidado com as palavras e não sabe por onde começar, nós podemos ajudar com exercícios, dicas e orientações literárias.

É só entrar no site do Terapia da Palavra e se inscrever.

E então? Vamos escrever juntos?

Roberta Simoni

História Íntima da Leitura

Amigos e leitores paulistanos (e não paulistanos que estejam em São Paulo) no dia 16 de Setembro (próximo domingo), estarei na Casa das Rosas (Av. Paulista, 37), das 14h às 18h para lançar a minha primeira publicação em livro, junto com os demais autores do tão sonhado “História Íntima da Leitura”.

Façam o favor de darem o ar de suas graças por lá, sim?!? 😉

Para quem quiser adquirir o livro e/ou saber mais detalhes sobre o projeto, é só entrar no site da Editora Vagamundo.  Além do livro, foi produzido um documentário com os autores da coletânea, óh só que bacana:

Roberta Simoni

O admirador e o admirado

Percebi que minhas mãos suavam enquanto eu imaginava o que poderia dizer quando estivesse a menos de um metro dele. Mas a fila estava enorme, dava voltas na livraria. E eu, logo eu, que tenho verdadeiro pavor de filas, fiquei ali, esperando resignada.

É bem verdade que grande parte dos escritores que admiro já morreu há um tempo considerável, logo, estar diante de um em plena forma literária é um privilégio. O autor português, Valter Hugo Mãe, esteve lançando seu novo livro no Rio essa semana. Eu, tiete que sou, fui ao lançamento, comprei o livro, levei outro mais antigo, enfrentei a fila quilométrica e esperei minha vez de ganhar meu autógrafo.

Quando finalmente minha vez chegou, entreguei os livros a ele e me vi paralisada, sem ação, até me escutar dizendo a frase mais criativa e original do mundo: “sou sua fã”. Aposto que ele nunca ouviu isso de ninguém. Sou um gênio, só que ao contrário. Pedi para tirar uma foto, agradeci a atenção dispensada e tomei de volta meus livros agora autografados. Pena as dedicatórias serem quase ilegíveis. Desconfio que além de escritor, o Mãe seja médico.

Saí da livraria me sentindo a criatura mais boba do universo mas, nem por isso, envergonhada. “Ah tá… então é assim que se sentem os fãs diante dos artistas da novela” – pensei. Sempre que saio à rua com algum amigo não-anônimo e vejo ele sendo abordado por algum fã, fico tentando entender como é isso de ficar emocionado diante de alguém que só se conhece “de vista” pela televisão ou internet. Agora eu sei. No meu caso, foi através de livros, mas a sensação, acredito, é a mesma.

Na mesma semana que descobri como é essa coisa toda de ser fã, tamanha foi a minha surpresa ao descobrir que tenho uma “leitora-fã” e acabei, sem querer, experimentando como é a sensação de estar do lado de lá também. Se é que posso chamá-la assim, né Marynha Dantas? Acho que classificar como fã acaba distanciando o admirador do admirado.

Recebi um monte de presentes lindos e mais do que especiais que a Maryinha me mandou pelo correio, diretamente de Sergipe. Tive a sensação dela ter enviado tudo que estava ao seu alcance para me fazer sentir querida e isso, de todos os presentes, foi o que mais me comoveu e emocionou.

Dentro da caixa de sedex, vários livros (alguns autografados pelos autores), produtos de beleza (minha boca, inclusive, nesse exato momento, está mutíssimo agradecida pelo hidratante labial), doces nordestinos de-li-ci-o-sos, uma toalha lindíssima, com meu nome e minha foto bordados com o maior capricho do mundo, lembrancinhas para o meu pai e minha mãe (que ficaram também muito agradecidos), e o presente mais caro de todos: um livro montado à mão, especialmente para mim. Nas primeiras páginas da edição exclusiva, o seguinte aviso:

“Atenção: todos os textos e fotos foram retirados do blog Janela de Cima, da escritora Roberta Simoni. Este trabalho manual e arcaico não pode ser copiado (pois você desiste pelo trabalho que dá). Não tente desgrudar as folhas e ver o que há por trás, pois um livro foi dilacerado para em cima das belas folhas coloridas se fazer este trabalho, o qual se chama ‘O dia que se perdeu a tesoura e tudo foi cortado a dedos’. É só para ‘remember’ e ratificar que há uma galera considerável esperando um livro (nem que seja de bolso, em papel reciclado) desta escritora, jornalista e viajante do e no tempo, ainda não tão famosa a nível global, mas querida por todos que amam o que é escrito com sensibilidade e talento. Aguardamos.” (Marynha Dantas)

Agora, me digam, quando eu poderia imaginar que enquanto eu estava aqui, levando minha vidinha insana e distraída, havia alguém lá no Nordeste do país preparando uma surpresa tão linda assim pra mim?

Isso de admirar e ser admirado por quem a gente nunca olhou nos olhos é uma coisa mágica. Obrigada, Marynha, por me provocar a sensação de estar no caminho certo numa semana onde a estrada me pareceu tão sinuosa, escura e perigosa, me fazendo pensar, diversas vezes, em voltar e procurar outro caminho menos arriscado.

Roberta Simoni

Aquela espiadinha básica…

O fofo do WordPress me mandou as estatísticas resumidas das visitas no blog em 2011 de presente. Adorei. Me senti na obrigação de dividir com vocês, responsáveis por mais de 59 mil espiadas (59.453, eu fui verificar!) na minha janela ao longo do ano passado!

Aos leitores e aos curiosos, meu muito obrigada e… debrucem-se sempre! 😉

Aqui está um resumo:

A sala de concertos da Ópera de Sydney tem uma capacidade de 2.700 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 59.000 vezes em 2011. Se fosse a sala de concertos, eram precisos 20 concertos egostados para sentar essas pessoas todas.

Clique aqui para ver o relatório completo

Roberta Simoni

Vai que…

Esse post você não vai ler aqui, mas aqui.

Trata-se do conto “Jogo do Surpreende” que escrevi para o concurso literário “Eu Amo Escrever”. É só ir até lá, ler, votar e caso goste do conto, recomendar aos coleguinhas, e caso não goste também. 😉

Eu sei que se depender do meu talento para política, minha estória nunca vai virar livro, porque parte da seleção é feita pela soma dos votos recebidos e o concurso já está nos últimos dias (vai até 02 de setembro) e eu quase me esqueci de pedir votos por aqui, mas vai que… né?

Roberta Simoni

Pra quê criar quando se pode copiar?

Eu venho protelando para tocar nesse assunto há algum tempo, mas como tem sido crescente o número de textos meus plagiados na internet, resolvi tocar na ferida que, fatalmente, é mais dolorida em mim do que em quem me copia.

Se por um lado ter meus textos plagiados indica que tem gente gostando do que eu escrevo (agradecida, sim?!), por outro lado, não é nada agradável vê-los espalhados por aí sem a minha autoria sequer mencionada ou, como na maioria das vezes, assinados por outras pessoas. É como ter a minha personalidade estuprada.

Dramática, eu? Pois então dedique horas (e até dias…) produzindo um texto, dê o seu melhor, gaste sua energia, use suas vírgulas mais pessoais, suas interrogações íntimas, suas aspas sugestivas, suas exclamações efusivas para, no final, ter as suas reticências roubadas…

Quem já experimentou, sabe. Não é gostoso.

Não raro eu recebo denúncias de leitores que encontram crônicas ou contos que escrevo em outros sites, blogs ou redes sociais, sem os devidos créditos, ao contrário do que manda a boa etiqueta, os bons costumes e a lei nº 9610 sobre direitos autorais.

Uma dessas denúncias em especial me despertou uma pequena e momentânea fúria, velha conhecida minha, antes adormecida e que agora provoca este presente e singelo desabafo…

Uma criatura sem escopo que teve a fineza de me copiar, assinar no meu lugar e tomar para ela os relatos das minhas experiências pessoais. Ok, eu sei que de certa forma, deixa de ser pessoal quando se torna público mas, me pergunto: o que leva alguém a querer contar uma história que não viveu como se tivesse vivido, com sensações que não sentiu como se tivesse sentido, descrevendo-as com a riqueza dos detalhes únicos e exclusivos que só o autor sabe? É vontade de viver a mesma coisa? É para compartilhar? Se a intenção é compartilhar, ótimo, é esse também o meu intuito ao publicar. Se eu não quisesse contar, guardava na minha gaveta ou no meu pendrive, certo?

A questão é: compartilhar é dividir, não tomar para si.

Tenho o hábito de dar nome aos bois e só não o faço quando não descubro nem mesmo a origem do pasto. Por isso, seguindo a lógica do bom senso (ou do pasto…), se provar do leite que ofereço e apreciar, ainda que não vá muito com a minha cara, faça a gentileza de citar o nome da dona das tetas. A escritora aqui, ou a vaca que fornece, agradece! 😉

E, pra essa gente sem criatividade, senhor, piedade!

O dia em que minha inspiração saiu de férias…

1 mês sem publicar no blog. Eu sei, seu sei… vergonhoso. E olha que nem foi por falta de tempo como quase sempre acontece. Foi por falta de inspiração mesmo, o que, na minha opinião, é o pior motivo de todos.

Minha inspiração saiu de férias sem avisar e eu só fui dar conta disso nos dias que se seguiram, enquanto tentava – pela enésima vez – desenvolver um conto para um concurso que até hoje não saiu. O concurso sim, o conto não. Aproveitei a entressafra para transpirar, transpirar e transpirar…

Thomas Edison disse que a genialidade é 1% inspiração e 99% transpiração. Não sei se concordo com a porcentagem, mas estou certa de que uma não sobrevive sem a outra. Estou muito longe de ser genial na arte de escrever, mas toda vez que escrevo me sinto muito próxima da sensação de êxtase que nesses períodos de entressafra me faz uma falta danada.

A boa notícia é que com o passar do tempo o peso desaparece. Há alguns anos eu me desesperava todas as vezes que não conseguia criar qualquer coisa por falta de inspiração, seja na hora de pintar, escrever ou fotografar, e carregar esse peso era quase insuportável. Atualmente eu não crio só por meio da inspiração, apesar de poder contar com ela quase sempre, mas se ela não vem, fica tudo bem, a gente faz o que pode. Imaginem uma jornalista que só escreve quando está inspirada? Morre de fome.

Já no blog, onde não há deveres nem obrigações, tampouco uma relação de custo-benefício, eu optei por escrever em parceira com a inspiração, com o tempo livre e a disposição como colaboradores, mas que nem sempre chegam junto. E é por isso que eu vivo aparecendo e desaparecendo na janela…

Enquanto isso, no alto da minha montanha imaginária, eu aprendo a transpirar. Leio, penso e vivo. E prometo que volto logo. 😉

O paradoxo da calcinha exposta!

Eu não tenho medo de morrer. Se a morte me assombra e amedronta de alguma forma é quando eu penso na morte dos meus amores. Mas morreremos todos, tão logo ou não, morreremos. Mas, por favor, se eu morrer sem aviso prévio, como normalmente acontece com a maior parte da humanidade, que as minhas calcinhas estejam todas limpinhas, guardadinhas na gaveta, que a minha geladeira não esteja repleta de frutas estragadas e embalagens vencidas, que não haja flores secas e murchas espalhadas pela minha casa, nem livros do Paulo Coelho nas prateleiras ou CDs do Belo na estante.

Sim, porque alguém vai precisar fazer o serviço sujo de entrar na casa desta mulher que mora só para cuidar dos objetos pessoais… e qual seria a última imagem que esse sujeito teria de mim caso encontrasse uma calcinha usada? Porca. E a comida estragada? Relaxada e egoísta, com tanta gente passando fome, tsc tsc… E flores mortas? Não conseguia nem cuidar de plantas, e ainda queria ter filhos. E como eu poderia explicar que o livro do Paulo Coelho foi presente de um amigo querido, e que não tive coragem de me desfazer dele porque a dedicatória era linda? E o CD do Belo? Meu Deus! Como eu explicaria uma atrocidade dessas? Quem acreditaria que era de uma amiga que me pediu para fazer uma cópia? Porca, relaxada, egoísta, relapsa e ainda por cima tinha um péssimo gosto musical e literário?

Normalmente quando eu viajo, me preocupo em deixar a casa, no mínimo ajeitadinha… nunca se sabe, né? Mas esta semana eu sequer tive tempo de lavar a louça. Que louça, sua louca? Um prato, três talheres, um copo e uma panela? Pobrezinha, ainda por cima era solitária…

No meu apartamento eu só tenho o básico, primeiro porque é temporário, segundo porque eu raramente paro em casa, terceiro porque toda a mobília que me resta está em outro Estado e eu só vou trazer tudo quando me mudar para um fixo. Além disso, só esta semana eu quebrei dois copos. Mas isso eu também não teria oportunidade de explicar… e no caminho para o aeroporto fui pensando nessas tolices e me deu um calafrio. “Ui… aviãozinho, seja bonzinho!”

Dia desses eu recebi uma visita rápida que precisou usar meu banheiro, só lembrei quando ela já estava lá dentro que havia uma calcinha pendurada no chuveiro. Tarde demais… Outro dia estava no apartamento de um casal de conhecidos, fui usar o banheiro deles e quando joguei o papel na lixeira, foi inevitável perceber as camisinhas usadas que estavam lá dentro. Ok, ok… toda finalidade de um casal, felizmente, é o sexo, e é normal lavar a calcinha no banho e esquecê-la pendurada lá dentro vez ou outra, mas, ahhh… nem por isso pessoas com quem você não tem a menor intimidade precisam saber a quantas anda sua vida sexual, muito menos qual o tipo de lingerie que você usa.

E, ainda assim, apesar de tudo isso, eu gosto de escrever num blog, de falar sobre as minhas impressões do mundo, divagar sobre o que sinto. E, vejam só, exponho minhas ideias e opiniões para um monte de gente que eu desconheço… quer coisa mais paradoxal do que essa ????

E você, pensa rápido e me conta: o que você esconderia debaixo do tapete se soubesse agora que nunca mais voltaria para casa?

Roberta Simoni