Auto estima

No próximo mês vou ser madrinha de casamento de uma amiga queridíssima, e ontem foi o dia da maratona pelo vestido perfeito, ou quase perfeito, ou bonitinho, pelo menos. O que importava, na verdade, era voltar pra casa com um vestido no fim do dia.

Estava atormentada com a idéia de chegar perto da data do casamento e ainda não ter nada definido. Até dormindo eu ficava perturbada, o último pesadelo que tive foi que no dia do casamento eu chegava na igreja sem ter o que vestir, usando jeans. Eu sei que não é pra tanto, mas eu mereço um desconto, é a minha primeira vez como madrinha, fiquei eufórica, tensa, preocupada… afff, coisa de quem não tem mais com o que se preocupar mesmo, eu sei, eu sei…

E sabe que foi mais fácil do que eu pensei? Comprei o vestido na primeira loja que entrei, e o segundo que experimentei. Mas os méritos não são meus, foi tudo graças à Dani, minha amiga, que me levou no lugar certo e no dia certo (nos fins de semana você só consegue entrar na loja com senha, e olha que a loja é quase um mundo de tão grande!), além de tudo isso, foi ela quem olhou o vestido e falou: experimenta esse! Ela é boa!

Confesso que São Paulo dá um banho no Rio nesse quesito, e em alguns outros também… nunca encontraria uma loja desse porte lá. Sem falar nos restaurantes, ai ai… come-se bem aqui, viu? E engorda-se muito também, cruzes! :-/

Por essas e outras que eu não entro mais em algumas roupas que já sambaram dentro de mim, um dia, num passado distante, distante… e na hora de experimentar o vestido isso também contou, me senti uma princesa no primeiro que experimentei, ele era perfeito, mas não para o meu corpo. Quando me vi dentro dele, o espelho me disse: “Você está parecendo uma princesa, com um grande pneu, parecendo uma bóia ao redor da sua cintura, você vai a um casamento ou está se preparando para nadar?”

Eu poderia até usar uma cinta para disfarçar, ou então poderia praticar apnéia na hora de entrar na igreja, mas e depois? Imagina uma noite inteira numa festa prendendo a respiração, de barriga pra dentro? Na-na-ni-na-não !!!

O espelho estava certo. Acabei ficando com o segundo vestido, nada de princesa, nem de plebéia. Discreto e, acima de tudo, confortável, e, ainda assim, me sentindo linda.

Mais tarde, cheguei em casa, e abri um e-mail da minha irmã, que eu já conhecia, mas não me lembrava, e caiu feito uma luva:

“Um dia, a rosa encontrou a couve-flor e disse:
– Que petulância te chamarem de Flor! Veja sua pele: é áspera e rude, equanto a minha é lisa e sedosa… Veja seu cheiro: é desagradável e repulsivo, enquanto o meu perfume é sensual e envolvente…
Veja seu corpo: é grosseiro e feio, enquanto o meu é delicado e elegante…. Eu, sim, sou uma flor!
E a couve-flor respondeu:
– HELOOOOOUU, QUERIDAAAA!!! De quê adianta ser tão linda, se ninguém te come???”

AUTO ESTIMA É TUDO!

Roberta Simoni