Dormindo Sozinha?

Eu tenho dormido pouco, muito pouco. Por volta de 2… 3 horas, no máximo, por noite, mas fico com a sensação de ter dormido 3 minutos. Em suma: eu apenas cochilo. E apesar da agilidade que os últimos dias têm exigido de mim, eles estão letárgicos, eu ando devagar, quase parando. Meus movimentos estão tão lentos quanto os de uma tartaruga ou de um brinquedo que começa a falhar porque a pilha está acabando. Além disso, o meu raciocino foi para as cucuias. Eu sei… ele nunca foi lá grandes coisas, mas, mesmo assim, faz falta. De tudo, o estado mais grave é o da minha cabeça. Acho, aliás, estou certa de que estou variando…

Nessa madrugada, durante o meu breve instante de sono, eu levantei de sobressalto.  Olhei pro lado, não tinha ninguém. Dei um pulo! Onde ele estava? Comecei a procurá-lo por toda a casa. O coração estava acelerado. Eu precisava dele. Entrei em todos os cômodos do apartamento, fucei todos os cantos. Tudo vazio. Bateu um leve desespero: “cadê ele?”. Abri a porta de casa, olhei no corredor do meu andar… nem sinal de ninguém. Cansei. Deitei de novo, inconformada.

Ele teria ido embora no meio da noite? Por que não se despediu? Será que estava se escondendo de mim? Mas por que ele se esconderia? Aquilo era uma brincadeira? Como foi embora sem que eu notasse? Será que voltaria? Talvez tivesse apenas dado uma saída rápida, mas, para onde teria ido?

E no meio daquele dilúvio de dúvidas, fui me cansado de tentar entender. Os batimentos cardíacos entrando no ritmo normal, o sono voltando, meus olhos foram cedendo ao cansaço e se fecharam de novo, até que… eu dei outro pulo!

Peraí, quem é que eu estou procurando? Ele…? Mas ele quem? Quem é ele? Eu fui dormir sozinha, e nada mais natural que eu acordasse sozinha. Nem fui dormir à espera da chegada de ninguém. Além do mais, só eu tenho as chaves de casa, então, a não ser que escalassem o prédio e entrassem pela janela, eu poderia dormir sozinha e acordar acompanhada.

Como assim, minha gente? Enlouqueci de vez?

E o pior não foi isso. O pior é que até agora eu estou com uma sensação terrível de abandono, sentindo uma saudade aguda nem-sei-de-quem. De alguém que me visitou durante a noite e que, certamente, eu não gostaria que tivesse ido embora.

Uma hora mais tarde, quando meu celular despertou na hora que programei, acordei pensando no episódio de poucos minutos antes, e conclui o óbvio: “sou doida de pedra!”, voltei a dormir sem querer, na verdade foi “sem querer querendo”, mas longe de estar podendo prolongar o sono. Adormeci por mais alguns minutos e depois fui despertada por alguém, como se me catucassem pra eu levantar, e aí eu levantei, adivinhem só, com mais um pulo (o terceiro, contaram?).

Não é a primeira vez que acontece, e não raro, depois do susto de acordar atrasada, e de constatar que fui salva por poucos minutos, eu já levanto dizendo: “obrigada, anjinho, se não fosse você, eu estaria perdida!”

Não sou espírita, católica, evangélica nem macumbeira. Não sou nada. Sou o que eu sinto. E eu não sei se anjos existem, e se existem, eu nem sei se  tenho um que me guarde, mas alguém – ou alguma coisa – tá lá, SEMPRE, ainda que eu só perceba esporadicamente.

Pode ter sido um anjo me visitando. Um fantasma. E esse último pode aparecer de várias formas: pode ser um fantasma do passado, o fantasma de mim mesma ou o de outra pessoa. Pode ter sido uma saudade que foi me ver. A saudade que alguém sentiu de mim. Pode ter sido um encontro, ou um reencontro. Pode ser que minha alma esteja enamorada enquanto eu durmo. E pode ser, é claro, que eu esteja precisando de um tratamento psicológico urgentemente. E talvez o Pinel seja o próximo lugar que eu escolha passar uma temporada, pra variar. 😀

De todo jeito foi bom. Bom demais. Mas foi breve e deixou saudade. Só por isso, eu vou dormir mais essa noite, ainda que ele volte a me visitar e eu nem me recorde disso amanhã.  

Ai ai… eu não me canso de me surpreender com as minhas aventuras noturnas!

E você? Tem certeza que dorme “sozinho”?

Roberta Simoni