Inspiração

Inspirar-se

Na semana passada dei um pequeno depoimento para um documentário que fala sobre Inspiração. Falo tanto nela, mas nunca havia parado para pensar a respeito. De repente me vi falando: “Inspiração é tudo o que me move e movimenta a minha vida. Se não houver inspiração, não existe sentido. Inspiração, pra mim, é tudo.”

Desde então essa frase ficou ecoando na minha cabeça: “Inspiração, pra mim, é tudo.”… e não é que é mesmo?

O que me inspira? – perguntei e respondi ao mesmo tempo – Coisas simples me inspiram, não preciso de muito. Na verdade, acho que minhas fontes de inspiração vem de coisas que costumam passar batidas na vida de muita gente. Uma ligação inesperada me inspira; uma demonstração de afeto; receber e escrever uma carta de papel à moda antiga, com o cheiro da tinta da caneta me inspira. Lugares, cheiros, lembranças, pessoas… o que mais? … já sei! Comer um pedaço de chocolate no meio de uma dieta me inspira para o resto da semana…

A inspiração está diretamente vinculada a absolutamente tudo o que me dá prazer. Escrever e fotografar, por exemplo. Fico imaginando como seria interessante se outras coisas que preciso fazer constantemente me inspirassem: acordar, estudar, cozinhar, limpar a casa, e várias outras coisas que não consigo lembrar agora, mas, certamente a lista é grande…

Pensando a respeito, eu não sei o que seria da vida de qualquer um de nós sem inspiração. Independente do que nos inspire, seja inspiração visual ou sensorial, não dá para viver sem. Inspirar é mais do que “um método de introduzir o ar atmosférico nos pulmões por meio dos movimentos do tórax”… é fôlego de vida. É tudo o que causa entusiasmo, tudo aquilo que nos impulsiona para frente, que enche o nosso pulmão de ar e o espírito de ânimo, ainda que, às vezes, isso se resuma apenas num pequeno pedaço de chocolate.

Isso me fez lembrar de uma cirurgia de garganta que me submeti alguns anos atrás, que me obrigou a ficar tomando água apenas com aqueles “conta-gotas” durante, pelo menos, uma semana. Eu morria de sede. Lembro perfeitamente do dia em que consegui virar um copo inteiro de água garganta abaixo depois da cirurgia. Foi uma sensação indescritível. Cheguei a me emocionar ao sentir a água invadindo a minha boca feito uma onda e sendo engolida por minha garganta.

E o que isso tem a ver com inspiração? Tudo. Absolutamente tudo.

A inspiração provoca o mesmo tipo de sensação, que te invade, te eleva, te dá prazer e tira os seus pés do chão, ainda que isso pareça a coisa mais corriqueira do mundo para qualquer pessoa, menos para você. Só você sabe, sente e goza daquele prazer exclusivo.

Músicas, melodias, poesias, paladares, aromas, palavras, sentimentos, paisagens também provocam orgasmos. E eu ainda não conheço nada mais inspirador que isso…

E você? O que te inspira?

Roberta Simoni

Respeitável Público…

Fico tantos dias numa escassez de inspiração para escrever, e de repente, quando a dita cuja chega, não quer mais ir embora. Comecei ontem a escrever um texto que, entre uma lágrima emocionada e outra, acabou virando um testamento, e me rendeu horas a fio em frente ao computador. Apesar de ter gostado, eu decidi não publicar, pelo menos por enquanto. Achei o texto longo demais, e mesmo que eu não tenha ficado com a impressão de estar maçante ou cansativo, ninguém entra num blog disposto a ter uma leitura prolongada. Se fosse o caso, vocês não estariam aqui, e sim, lendo um livro, por exemplo. De todo jeito, vou pensar no caso, com carinho.

Felizmente estou tendo uma resposta muito positiva com o blog, e agradeço pelos comentários repletos de carinho e entusiasmo dos amigos, que nem preciso pedir que visitem o site (porque não há nada como a opinião sincera deles), quando vejo, já estão me ligando, mandando e-mails ou mensagens. Os mais empolgados chegam a me pedir para escrever um livro, e o que é pior: eles falam sério.

Ok, eu até tenho vontade de escrever um livro um dia, já até comecei alguns projetos que ficaram inacabados, mas ainda não acho que eu esteja pronta. Vamos aos poucos, por enquanto o blog me sacia. Quem sabe um dia?

Não posso deixar de falar também sobre os novos amigos blogueiros que tenho feito aqui. Entre um blog e outro, descobri pessoas encantadoras, que escrevem impecavelmente bem, e já se tornaram leitura obrigatória entre os meus favoritos.

Aos leitores que chegam aqui sem querer e acabam frequentado, sejam bem-vindos (ou seria “benvindos”? Ai ai ai, Reforma Ortográfica do $#%!”*&¨@%#!) e voltem sempre, a casa é de vocês também. E, finalmente, aos que me conhecem, já descobriram esta página e ficaram eufóricos com a idéia de saber um pouco mais sobre a minha vida, só pelo costume de fuxicar a vida alheia, tenho uma má notícia: meu blog não é um diário. Não esperem encontrar detalhes da minha rotina ou da minha vida pessoal. O que pode acontecer, no máximo, é que vocês terão a oportunidade de me conhecer melhor, e saberão o que penso, sinto e o que tem me inspirado. Depois disso, poderão tirar conclusões sobre a minha pessoa, o que, na realidade, não importa. É costume mesmo do ser humano tirar conclusões precipitadas das coisas e das pessoas das quais nada sabem a respeito, por isso, sintam-se em casa, de qualquer jeito.

Ainda me sinto insegura para tratar de alguns temas e escrever sobre determinados assuntos, e espero que tenham piedade desta criatura que vos escreve se a coisa não desenrolar ou se eu me perder no meio de um raciocínio, ou do caminho. Depois de tanto tempo sem ter um blog, talvez eu tenha perdido um pouco o jeito, mas eu reaprendo rápido. Da mesma forma que me redescubro o tempo inteiro.

Boa Leitura !!!

Roberta Simoni

Depois do Reveillon

A festa chegou ao fim, a ressaca passou, os fogos acabaram, o céu limpou, e nesse novo ano em especial, a chuva caiu.

Pois é, 2009 chegou. E como você está começando essa nova contagem de tempo? Alguma coisa mudou?

Eu sou a mesma, você é o mesmo, e as nossas vidas, provavelmente, são exatamente as mesmas, sendo elas boas, ruins, ou mais ou menos. Depois das deliciosas e saborosas (leia-se “engordativas”) festas de fim de ano, damos de cara com nossos antigos compromissos e com a velha rotina de sempre, que não são tão saborosas assim.

Vamos ser francos: nada muda, mas ainda assim é fascinante ter a sensação de recomeçar, de começar do zero, de estabelecer novas metas, fazer novos planos e acreditar mesmo que “agora é pra valer!”. Melhor ainda seria se, independente da contagem de dias, semanas e meses, da qual chamamos de ano, houvesse “ano novo” em pleno 17 de julho ou 23 de setembro, etc…

O mesmo entusiasmo que sentimos no dia 1º de janeiro, poderíamos sentir em qualquer dia do ano. Seria delicioso renovar completamente as energias e as esperanças a cada manhã de sol, a cada mergulho no mar, a cada beijo apaixonado, a cada demonstração de carinho, a cada conquista e até a cada derrota, afinal cada situação nos dá a oportunidade de seguir um novo caminho, de fazer uma nova escolha, ou de enxergar alguma coisa sob uma nova ótica.

A vida se renova o tempo inteiro diante dos nossos olhos, e principalmente diante dos nossos sentidos. A todo instante experimentamos novas sensações, das melhores às piores possíveis. E, por mais metódica que seja a vida de uma pessoa ela será surpreendida por essas sensações, querendo ou não. É nelas que está embutida a chance de recomeçar.

O recomeço não está só em começar uma nova vida, está em tudo… em despertar para um novo sentimento, seja de desejo ou de repulsa, uma nova vontade que nos impulsiona a buscar ou a deixar algo para trás. Recomeçar está numa escolha, numa decisão que somos obrigados a tomar, numa euforia inexplicável, numa sensação, numa intuição, num momento de introspecção, numa alegria inesperada e até numa tristeza sem motivo aparente. Ela está lá, sempre lá. O recomeço é quase sempre uma escolha que fazemos, e a escolha, muitas vezes, pode ser simplesmente a de recomeçar.

Nessa nova “fatia de tempo” que ganhamos, desejo que todos possam sentir a mesma vibração maravilhosa do Reveillon em vários, vários dias do ano. Que em 2009 nós tenhamos vários “anos novos”.

Roberta Simoni