Eu, Frida.

“Pés, para quê os quero se tenho asas para voar?” (Frida Kahlo)

– Você não vê? Tem uma Frida Kahlo escondida aí dentro!

– Engraçado você citar a Frida, tenho pensado tanto nela ultimamente…

– Eu sei que você tem pensado na Frida. É óbvio.

– É óbvio?

– É. E mesmo assim você faz de conta que não entende. Então me perdoe se, às vezes, eu esbarro o dedo no seu cu e te incomodo, mas parece que você tá esperando um sinal dos céus e isso é muito engraçado.

– Então é isso? É divertido ficar me assistindo ser estúpida?

– É, muito! E é uma das coisas que me irritam em você e que eu gosto que me irrite. Eu quero te dar colinho mas quero enfiar o dedo no seu rabo para você sair do conforto do desconforto.

– Incrível como o desconforto pode ser mesmo tão confortável…

– Eu sei, e se eu hesito em lembrá-la do seu próprio tamanho é só porque eu só tenho a perder com isso, afinal… tudo indica que não sou o seu Diego Rivera. Mas aí talvez seja só bobagem minha.

– E por que não pode ser você o meu Rivera?

– Se pode ser só bobagem minha, então talvez não mereça que eu enumere os motivos.

– Odeio quando você é indireto…

– Eu sei.

– Numa hora dessas eu pegaria a sua cabeça e encheria de beijos.

– Encheria?

– Sim. Tudo para não ter que dar com ela contra a parede.

“Eu sofri dois acidentes graves na minha vida… Um em que um bonde bateu (…) e o outro foi Diego.” (Frida Kallo) 

Roberta Simoni