Uma carta de amor… próprio.

Uma carta de amor endereçada a mim, escrita por mim. Estava lá, entre as centenas de folhas de um dos meus cadernos que, sem propósito (ou por pura falta do que fazer) resolvi remexer ainda há pouco. Parece que já tem décadas, mas a carta foi escrita em março deste ano, esse mesmo 2012 que, ao menos para mim, parece interminável, eterno, a continuação da História Sem Fim…

A vantagem de ter uma memória deficiente é a de ser surpreendida com uma carta que você escreveu à você mesma, da qual você havia esquecido completamente, além, é claro, de poder encontrar – com uma frequência satisfatória – cédulas de R$10, 20 e até 50 perdidas nos bolsos das minhas calças e jaquetas. Esse é o tipo de prazer que gente funcional jamais conhecerá. Ho ho ho.

Na carta, um pedido: “Não se perca…”. E na última linha, nada de despedida com beijos, abraços ou um até breve, mas uma única palavra: amor. Não me lembro de ter sido tão doce e afável assim comigo alguma outra vez durante essa existência. Costumo ser o oposto: extremamente auto-crítica, rude e insensível.

O que me causa estranheza nem é o fato de eu escrever uma carta pra mim, mas a doçura com que a fiz. Quando me trato bem assim sempre penso mal de mim. Epa! O que você tá querendo em troca disso, hein?

No geral, meu trato comigo mesma é… digamos, um tanto pejorativo. Quando erro, é comum me flagrar utilizando xingamentos inspirados na fauna (anta, burra e similares são os campeões de audiência…), e considerando o “cerumano” errante que sou, às vezes, viro a fauna completa.

Mas não nessa carta, que escrevi no último dia da minha viagem à Itália, dentro de uma daquelas igrejas fenomenais, que mesmo eu, criatura livre de qualquer apelo religioso, me emocionava e arrepiava inteira a cada igreja que visitava. Agora eu lembro que eu estava sentada num banco isolado, dentro do Duomo de Florença (Santa Maria del Fiore) e tinha os olhos marejados de emoção, sentia uma vontade inquieta de ficar, mas, uma vontade que não chegava a arranhar minha determinação de partir. Sentia saudade de véspera daquele país impressionante que eu passei a vida inteira sonhando em conhecer e que eu deixaria nas próximas horas por escolha própria, pois tinha conseguido trabalho e moradia para ficar, caso eu quisesse. Mas tinha também uma saudade atrasada do que – e dos que – deixei no Brasil, e uma certeza tão absoluta de que eu precisava voltar para casa que chegava a me soar insultante, ainda que, por outro lado, fosse tão reconfortante.

Ao fim daquela viagem, após constatar que eu estava voltando pra casa inteira (diferente, mas inteira), ciente das barreiras que superei sozinha, especialmente as psicológicas, abri meu caderno e me escrevi essas palavras:

“Obrigada, querida, por ter vindo, por ter enfrentado o desconhecido, por ter sido capaz, por ter chorado de medo e mesmo assim não ter recuado, por ter se permitido emocionar tantas vezes com tantas miudezas, pela intensidade com que viveu cada nova experiência, por me fazer sentir o orgulho que sinto de você agora. Continue. Não pare. Não se perca. Amor, B.”

Tá. Eu não conquistei o nobel da paz nem ganhei uma medalha de honra por ter feito uma simples viagem, as pessoas fazem isso o tempo todo. Não descobri a cura para o câncer, não curei um paraplégico, não transformei água em vinho, nem sequer salvei a vida de um inseto, mas realizei um sonho antigo, e um sonho é um sonho, não se mede tamanho ou proporção, quando realizado, é de se orgulhar.

E poucos meses depois eu já tinha me esquecido do orgulho que senti de mim, do afago que me fiz e do bem que me causei. Voltei a apontar os meus defeitos e as falhas sem a menor condescendência. Coisa que, provavelmente em algum momento da vida, outras pessoas já fizeram comigo e vice-versa. Bendita memória fraca.

Diante dessa carta de amor próprio, eu percebi que a relação que tenho comigo merece tanto cuidado, atenção e, sobretudo, lapidação quanto qualquer relacionamento que tenho com as pessoas com quem convivo, seja por amor, obrigação, laços sanguíneos ou as três alternativas anteriores.

Eu sei, parece papo de livro de auto-ajuda ruim (e existe algum bom?), mas não se trata só de amor próprio, auto-suficiencia ou condescendência, vai além. Ou não. Vai ver é só papo furado mesmo que eu deveria ter a sós comigo mesma e não aqui. Mas o blog é meu e eu escrevo o que quiser (ui, que malcriada!). Para o seu azar, caro leitor, aqui não existe democracia, mas para sua sorte, a sessão de terapia acabou.

Por hoje, a exemplo da carta que recebi de mim, tratarei-me com carinho e até falarei no diminutivo (sabe, Betinha?). Durante os constantes diálogos que tenho comigo mesma, não me ofenderei (muito) nem me xingarei (merecidas férias para a fauna) e amanhã procurarei fazer o mesmo, e depois, e depois e… hã?

… Maldita memória fraca.

Roberta Simoni

O meu rapaz…

Eu vi você na Itália.

Você usava uma daquelas suas camisas sociais bonitas. Estava lá a trabalho? Imagino que sim…
Achei que eu pudesse estar delirando, já que quando se chega em Roma pela primeira vez, tem-se a sensação de estar pisando num lugar absurdo, surreal… tudo é colossal e desmedido. Quando se acaba de admirar um palácio renascentista, você tropeça numa antiguidade venerável, dá de cara com uma ruína, esbarra num monumento inacreditavelmente perfeito e depois outro e outro…
Me escondi atrás de um desses monumentos e fiquei te olhando. Não me julgue.
Você conversava com um homem que falava alto e gesticulava muito (era um italiano, acertei?) e você de braços cruzados, só assentia com a cabeça, esboçando um sorriso vez ou outra que, eu sei, é um daqueles seus sorrisos que dizem: “estou te dando atenção por educação, mas não estou interessado em nada do que está dizendo”… Você não mudou nada mesmo. Fiquei vendo aquela cena e rindo sozinha.
Depois outras pessoas chegaram, todas muito animadas. Assim como eu, devia ser a primeira vez delas em Roma. Uma moça trazia uma máquina fotográfica na mão. Alguém do grupo se dispôs a tirar uma foto. Vocês fizeram pose em frente à Fontana di Trevi que, se não estivesse sempre tão lotada, eu teria dúvidas se não era mais um fruto da minha imaginação lírica. Me distraí olhando você diante da fonte mais linda que já vi na vida e o meu sorvete começou a derreter. Fiquei com a manga do casaco toda lambuzada por sua culpa.
Lembrei daquelas fotos de grupo da escola, da faculdade, dos churrascos da turma do trabalho. Você, alto, ficava sempre lá atrás, só dava para ver sua cabeça, quando muito. Uma vez você se queixou comigo, numa dessas crises existenciais periódicas e passageiras, dizendo que não conseguia se destacar nem nas fotos.
Fiquei ali parada para ver como você se posicionaria no grupo e como o grupo se posicionaria perto de você. As pessoas foram se aprumando ao seu redor, você ficou no centro naturalmente, ninguém se meteu na sua frente, de forma que era possível ver mais do que a sua cabeça dessa vez. Você se abaixou um pouco para ficar na altura das moças que estavam ao seu lado e inclinou a cabeça para frente para disfarçar a papada no pescoço que você cisma que é feia, depois você esticou os braços como se eles pudessem abraçar o grupo inteiro, ou o mundo. E sorriu largo. Eu sorri junto, como se fosse aparecer na foto também.
Aí, na hora de bater a foto, a moça que estava do seu lado direito falou alguma coisa com alguém, mas eu não consegui entender o que era e parece que você também não, mas você não moveu a cabeça, só olhou de lado, de rabo de olho. Típico. Afinal, os velhos hábitos não te abandonariam só porque você atravessou o Atlântico…
A foto ficou assim: você lindo, no centro, abraçando o mundo, sorridente e com o olhar desconfiado.
Esse é o meu rapaz, pensei.
E aí eu acordei.
Roberta Simoni

Cabeça à prova de paredes!

Algo realmente mágico acontece quando você viaja, algo que se eu soubesse descrever eu já teria escrito esse texto há muito mais tempo. Continuo sem saber, mesmo assim escrevo, do mesmo jeito que viajei.

A vida, afinal, não é exatamente isso? Não saber e mesmo assim ir?

Quando eu era pequena (era?), eu batia com a cabeça na parede. Pois é. Eu mereço suportar todas as chacotas hoje por isso. Bastava ouvir um não e eu ia lá, engatinhando ou andando aos tropeços em direção à parede mais próxima, não importava qual fosse, eu mirava uma parede e simplesmente ia, sem medo de ser (in)feliz. Eu não lembro de nada disso, é claro, mas minha mãe conta que pensava que eu tinha problemas mentais. Eu, no lugar dela, teria certeza absoluta. Mesmo assim, ela quis se certificar. Chamou uma psiquiatra para avaliar o meu caso. A doutora passou o dia todo observando meu comportamento esquizofrênico, que ela diagnosticou como… esperteza. Malandragem pura e incurável.

Eu já tinha sacado que quando era contrariada ou repreendida, bastava ir em direção a uma parede que mamãe vinha correndo para tentar me impedir de criar mais um rombo na testa. A receita da doutora foi: deixa ela bater, não impeça da próxima vez.

Especialmente no dia em que minha mãe se preparou psicologicamente para me deixar quebrar a cara – literalmente – eu escolhi dar com ela (a minha cara, não a minha mãe) num muro chapiscado. Doeu. Sangrou. E mamãe não socorreu. Chorou de pena, mas não socorreu. Eu fui engatinhando para os pés dela e fiquei chorando, apontado para testa e dizendo: “xangui, mamãe, xangui…”. Ela conta que eu implorei por colo, por peito, por qualquer consolo, peloamordedeus! Até que cansei de chorar e dormi ali, nos pés dela. Só então ela me pegou no colo, cuidou da ferida e me colocou no berço. Conclusão: nunca mais cheguei com a cabeça perto de uma parede.

Mas como velhos hábitos nunca mudam, agora, na vida adulta, eu continuo dando com a cabeça na parede, só que metaforicamente, o que é bem pior, visto que não há mercúrio que sare a ferida e não tem mamãe por perto para socorrer.

A diferença entre a criança e a adulta é que a criança batia a cabeça quando contrariada e a adulta bate quando não sabe as respostas, ou seja, o tempo todo. Não sabe o que fazer, para onde ir, que decisão tomar. Mas se a vida é esse constante e eterno “não saber” o melhor a fazer é tirar minha cabeça da reta, já que sacudindo e dando com ela na parede as respostas não vão simplesmente pipocar como milho pulando na panela.

Depois de ler meu último texto contando sobre a minha viagem, um amigo comentou: “(…) É mais um belo capítulo na história da menina que foi para longe para poder ver algo que estava muito perto.”. Ele tinha toda razão. Ela também, quando disse: “viajou para poder se buscar!”

Eu precisei me afastar das paredes que a minha cabeça estava condicionada a bater. Viajei por quinze horas para bater a cabeça em paredes diferentes até perceber o que eu poderia ter notado aqui: não adianta. Minha cabeça é dura o suficiente para não ceder ao concreto e a parede não vai nem rachar, porque a vida é suficientemente resistente às minhas tentativas malcriadas para obter as respostas. Eu não vou enxergar um palmo diante do meu nariz se estiver com ele mirado na parede, bem como não vou conseguir vislumbrar nenhuma saída, nem as de emergência, sinalizadas com enormes placas vermelhas!

Felizmente eu não fiquei muito tempo batendo a cabeça dessa vez para encontrar o sentido em não saber. De nada. Não saber de nada é a parte mais divertida da viagem. Da vida, no geral, nem tanto. Normalmente é perturbador nunca saber. Aí o jeito é viajar, mesmo sem sair do lugar, porque não é a viagem em si que faz a diferença, mas o viajante.

Não é a Itália. Eu poderia ter escolhido Bangu como destino. É o trajeto, é a forma como eu vejo os lugares por onde passo. Eu vou ser sempre eu em qualquer lugar, – uma garota que dá com a cabeça (dura) na parede – disso não há como escapar. Aquela que atravessa o oceano cheia de dúvidas e volta sem nenhuma certeza. Só aquela certeza já antiga, a de que mesmo sem saber, ir é fundamental quando se quer chegar a algum lugar.

Roberta Simoni

Sobre obediência intuitiva

De certo que a Itália é fascinante. De certo que eu estou vivendo experiências neste país que italiano nenhum nunca viveu, porque os olhos deles enxergam com pluraridade o que, pra mim, é singular! E tudo é singularmente lindo para quem viaja sozinho pela primeira vez com uma mochila nas costas (especialmente quando se escolhe a Itália como destino), carregada de sonhos.

De certo que felicidade não é algo que se encontre na Itália, na China, na esquina ou num pacote de figurinhas sortidas. Não precisa ler livro de auto-ajuda para saber que a felicidade mora dentro da gente, tem endereço fixo e cep permanente, não importando onde a gente esteja ou para onde vá. Mas o que eu descobri vindo para cá é que quando eu me movimento fica mais fácil descobrir em qual corredor ela anda se escondendo, acanhada e encolhida em algum canto escuro e úmido, onde eu mesma a coloquei de castigo, porque, afinal, ser feliz é o maior dos insultos.

Tenho uma centena de coisas para contar e umas 40 páginas rabiscadas no meu diário de viagem (sim, eu fui lá no diário contar!), que me distraio escrevendo entre um trecho e outro de trem… mas o que eu tenho feito de mais importante desde que cheguei aqui, além de comer massas de todos os tipos, croissant de chocolate pela manhã, sorvete de nutella no fim da tarde (ok, parei!), me perder por todas as vias (ruas) possíveis e fazer amizades preciosas, é escutar a voz do meu coração, ou intuição, se preferirem um termo menos piegas.

Eu, que sempre me considerei extremamente intuitiva, depois de tantos anos aperfeiçoando a prática da auto-sabotagem, calei quase que completamente a voz mais doce e elucidativa que tenho…

Então, se você quiser saber o que eu vim fazer aqui, além de desafiar o meu medo e a minha coragem (na mesma sentença), eu digo que vim para escutar a voz do meu coração que, diante dos desafios que encontro viajando por terras que desconheço, sozinha e com as limitações da comunicação, escutar o que o meu coração diz e obedecer a escolha que ele faz diante de um cruzamento, sem um mapa, numa rua no meio da Bologna, por exemplo, é algo vital.

Intuir e confiar no que intuo, de certo, tem sido o exercício mais fascinante que já pratiquei na vida.

Não é o roteiro que improvisei poucas horas antes de sair do Brasil, não são os mapas das cidades por onde passo, nem a bússola do meu relógio que tem me orientado, é pura e simplesmente a minha intuição, desde o dia que eu decidi que viajaria, mesmo quando a racionalidade falava mais alto, me chamando de louca aos berros, como quase sempre faz…

Mas, desta vez, ao invés de matar, foi ela quem morreu afogada. Sem choro nem vela.

Roberta Simoni

La Dolce Vita

Uma obra de Maria Rachel

Dez horas de viagem depois, o monitor em frente ao meu assento indica que estamos cruzando o Oceano Atlântico… sinto uma euforia misturada com medo, daí escrevo.

– Mas, por que a Itália, Beta?

Por que as pessoas precisam de uma justificativa lógica para tudo? Das poucas pessoas para quem eu contei que estava vindo para a Itália, conto nos dedos de uma única mão as que me fizeram essa pergunta cretina. Foi por essa razão que eu resolvi contar para tão poucos, só aqueles que não precisam de perguntas para saberem as respostas. Eles simplesmente entendem.

– Porque é o meu sonho, respondo.

Isso já é mais do que um bom motivo par me fazer atravessar o oceano suportando três garotinhas barulhentas, que não negam serem italianas. Mas existe uma dezena de outras razões existenciais, profissionais, pessoais, familiares, racionais e emocionais que me fizeram vir parar aqui, das quais compartilho só com quem não precisa me perguntar “mas por que?”…

Nos últimos dias eu descobri muito sobre a verdadeira Itália, sobre o verdadeiro espírito de viajante e, principalmente, sobre a verdadeira medrosa cheia de coragem que sou.

Coragem não só de vir pra cá no susto, sem a menor infra, com o dinheiro contado e sendo obrigada a ouvir piadinhas como: “ganhou na loteria?”, “arrumou um namorado rico?”. Respondo: não, trabalhei mesmo!

As pessoas se acostumam a ver você se ferrando tanto, trabalhando a vida toda feito condenado que pensam que você está condicionado a passar a vida inteira assim. Não, eu não quero acreditar que a vida seja só levar na bunda. E a vida não é. Não pode ser. Mas, se for, que seja na Itália. Ah… como eu amo a Itália!

Dio mio! Mas como é difícil viajar sozinha sem dominar o inglês e tendo pouca ou – como descobri ao chegar aqui – quase nenhuma noção do italiano. Continuo matando um leão por dia aqui, mas um leão italiano (tá, meu bem?). A superação está desde em conseguir me orientar para chegar no hostel das cidades onde me hospedo até perguntar – e conseguir entender – onde encontro a manteiga de cacau na prateleira da farmácia. Pois. Hoje mal consigo rir porque minha boca está toda estourada com o frio, mas desenvolvi uma forma de rir internamente, inclusive de mim mesma, levando meia hora para encontrar o meu hostel em Roma, que ficava a 3 minutos da estação de trem onde eu estava.

Arrumei um mapa e descobri que estava a 5 minutos do Coliseu, mas mesmo com o mapa, me perdi. Na próxima vida eu preciso vir com algum senso de direção porque nessa vida não tá funcionando muito bem querer ser viajante do mundo sem perceber que estou virando à direita quando o mapa indica o lado esquerdo.

Sei que, de repente, dei de cara com ele: o Coliseu. Fiquei com os olhos marejados. Não só pela lindeza de tamanha dimensão daquela obra arquitetônica, mas porque ali, naquele momento, começava a minha viagem.

Me perdi ainda muitas vezes e vou me perder mais outras tantas, mas nessa brincadeira descobri o verdadeiro sentido da frase: “perder-se também é caminho.”

Entre uma rua e outra, entre o Coliseu e a Fontana di Trevi, a gargalhada gostosa de um italiano igualmente gostoso, a expressão irritadiça da recepcionista ao não conseguir entender o que eu tento dizer, “Madonna Mia”, entre todos os detalhes, os sabores, as sensações… eu estou descobrindo a Itália, com as massas mais incríveis que já provei na vida e os sorvetes de nutella que são verdadeiros insultos. Ah… eu amo a Itália! Eu já disse isso?

Encarar esse tipo de aventura sozinha é lidar constantemente com a sensação de absoluta liberdade, o que é maravilhoso e, ao mesmo tempo, assustador. O lindo é que cada passo que os meus pés dão nessa terra que eles nunca pisaram antes, parece magia pura. Até quando eu me perco, eu me acho.

Agora que já descobri o verdadeiro sentido de “La Dolce Vita” vou tratar de aprender na prática como funciona essa coisa de “Dolce Far Niente”, que os italianos fazem com tanta maestria, ah vou…

E o meu trem parte para Firenze em 10 minutos…

Roberta Simoni