Meu adorável manicômio…

Patch Adams

Essa noite eu tive um sonho. Sonhei que estava internada num manicômio. Não era um sonho sem pé nem cabeça como tantos outros. Ele tinha sentido, e tinha ordem cronológica, eu só não consegui registrar tudo, mas quase.

Eu me dei conta de que estava dentro de um hospício enquanto andava pelos corredores, e via os loucos. Uns riam, outros gritavam, alguns vestiam roupa de carnaval, se “travestiam”, outros usavam máscaras de palhaços e alguns tentavam assustar as pessoas quando elas passavam.

No começo eu senti medo. Depois me lembro de também vestir fantasias. Eu ria, junto de outras pessoas, que se arrumavam comigo num lugar que parecia a coxia de algum teatro. E então, eu finalmente percebia que eu era só mais uma louca no meio de tantos loucos. E nem por isso me sentia triste. Pelo contrário…

Mais tarde eu me via de novo naqueles corredores e, à minha frente, uma menina andava apavorada, com medo dos loucos, como eu também já tinha sentido. Eu passava a frente dela e mostrava que não havia o que temer. Andei de um lado para o outro, subi e desci e escadas e terminei numa fila onde algumas pessoas seguravam malas, fechavam contas e efetuavam pagamentos. E eu também estava ali pra isso.

Nesta fila, eu encontrava alguns amigos. Conversando com um deles, descobri que estávamos partindo, pois o tratamento havia terminado e nos deram alta. Acabei descobrindo também que eu mesma havia me internado por conta própria.

Me lembro de olhar ao redor e ver aquele bando de malucos, alguns com o semblante triste, mas a maioria, no entanto, vivendo em plena euforia, como se seguissem um bloco de carnaval. Eu olhava para todos com ternura, e nenhum deles me assustava mais. Lembro de só sentir um medo: o de ir embora e voltar para o mundo lá fora.

Acordei com saudade do manicômio e tentando entender o que me levou a me internar por livre e espontânea vontade lá. Ainda não entendi, mas certamente esse foi o sonho que mais fez sentido pra mim nos últimos tempos. Lembrei do Patch Adams, por isso, escolhi essa foto para colocar no texto de hoje…

Nunca me considerei uma pessoa centrada, que vive dentro da normalidade. E lucidez nunca foi o meu forte, eu sei. Mas vejo tanta loucura acontecendo no mundo, tanto maluco solto por aí fazendo atrocidades que chego até a me sentir normal – dentro do possível.

Só que o conceito de normalidade é algo muito complexo e íntimo. Assim como o conceito de loucura é absolutamente pessoal. O que é normal pra mim, pode ser uma loucura inaceitável para você, e vice-versa. Mas isso é papo pra outro dia…

Por ora eu sei que quando me sinto normal, me sinto chata. Afinal, é chato ser normal.

Depois desse sonho, duas coisas não me saem da cabeça:

A primeira é que o mundo talvez seja, na verdade, um grande hospício, e a segunda é que talvez isso nem tenha sido só um sonho, mas, uma lembrança de alguma vida passada… e aí tudo passa a fazer sentido.

Bom, essa maluca que vos fala não poderia terminar esse post sem a participação de outro maluco: Raulzito… esse que não foi só mais um doido, mas o Maluco Beleza mais adorável de todos!

Roberta Simoni