Divagando…

Leveza

Essa semana nós comemoramos o 83° aniversário do meu avô Paolo (vulgo Palolito). Italiano tem sangue forte, né? Seria efeito do vinho? Meu avô usa o inverno como desculpa para beber uma garrafa inteira de vinho toda noite. E sou tentada a dizer que, nos últimos tempos, ele tem dado um banho de vitalidade em mim e em muita gente por aí.

Durante a comemoração, pergunto se minha avó (que ainda nem chegou aos 70) quer comer um “petit gateau” e ela reponde: “O que? Investigador???”

Volto para casa pensando na porcentagem de chances que tenho de chegar à velhice como ela, ou igual ao meu avô. De hoje em diante, tomarei mais vinho. Tá decidido.

*****

lembram da ex-gatinha de rua Margot? Ganhou um pai-carioca-swing-sangue-bom, uma casa com quintal e tudo e, de brinde,  se livrou da mãe Felícia. E a Felícia aqui já está desesperada de saudades. Dane-se a cortina desfiada e a alergia. Quero minha felina de volta!

*****

Estou decidida a canonizar o Théo, meu cachorro. Eu deito na barriga dele, ele deixa. Eu aperto a bochecha dele, ele deixa. Eu encho ele de beijos, ele deixa. Eu abraço até ele ficar sem ar e ele deixa. Eu fico escrevendo até às 5h da manhã e ele fica comigo, caindo de tão trêbado de sono, mas se recusa a me deixar sozinha. Olho para ele e e sempre recebo de volta um olhar apaixonado, com aquela cara lânguida e o rabo balançando feito um ventilador ambulante.

Tenho pensando na gratuidade do amor canino e em como eu gostaria que as relações humanas fossem, ao menos, parecidas. Não digo todas, mas pelo menos as mais íntimas, aquelas que consideremos mais importantes. Ou, pelo menos, uma das partes considera.

Ontem comprovei a máxima que diz mais ou menos assim: “Quer ver se alguém é seu amigo? Procure-o na dificuldade”. Me surpreendi, pois diferente do que eu apostei, a amizade não passou no “teste”. Não é a primeira e, infelizmente, não será a última vez que sofrerei esse tipo de decepção, e eu sei que não sou a primeira nem serei a última a passar por coisa parecida. Mesmo assim, o coração sente tanto como se fosse.

Em contra partida, um amigo – meio amigo, meio anjo – aparece na porta da minha casa com violetas, bombons, abraços e sorrisos para mim. E nem precisava disso tudo. Bastava saber que ele existe.

Roberta Simoni

Simplificando o sexo

Casal Sensual

Sinceramente, eu não entendo a dificuldade que as pessoas têm de falar sobre sexo. É claro que eu não espero que todos saiam por aí contando detalhes sobre a sua vida sexual. Também não tenho absolutamente nada contra quem faz isso, apenas não é o meu caso. Só não vejo problema algum em falar sobre sexo com a mesma naturalidade com que se fala sobre culinária, política ou religião.

No meu caso, por exemplo, falar sobre sexo é mais fácil do que falar sobre culinária. E aposto que não sou a única.

Assumo que tive uma criação diferente. Sempre conversei sobre sexo com a minha mãe. E não, não estou falando daquele diálogo super constrangedor entre pais e filhos:

– “Filha, precisamos conversar sobre sexo, afinal, você já está virando uma mocinha.”

– “Não se preocupe, mamãe, eu sou virgem.” (escondendo um pacote de camisinhas numa mão, e, na outra, uma caixa de pílulas anticoncepcionais).

Lá em casa, sexo nunca foi um assunto proibido, mesmo assim eu não senti vontade de ir para casa correndo contar para os meus pais quando perdi a virgindade, tampouco quis que a minha mãe me acompanhasse na minha primeira visita ao ginecologista. Falar com ela sobre a minha vida sexual foi uma coisa que aconteceu naturalmente, aos poucos. No fim das contas, ela já havia se transformado numa espécie de “confidente sexual”. Logo, se eu não tenho problemas de falar sobre o assunto com a minha mãe, por que eu teria de falar com os outros?

Quando eu declaro que gosto de sexo sem o menor pudor e medo de ser feliz, ainda me deparo com fisionomias surpresas e até assustadas e ainda esbarro com aquelas interpretações arcaicas…

Dia desses, conversando com um amigo e falando sobre as mazelas da vida, entre uma lamentação e outra, nos queixamos da dificuldade que tem sido viver no mundo de hoje, repleto de pessoas amarguradas, frias, loucas e neuróticas, e acabamos chegando a conclusão de que as pessoas têm feito pouco sexo. Afinal, sexo faz bem a saúde física e psíquica, além de melhorar absurdamente o humor e elevar o estado de espírito. E isso não sou eu quem está dizendo, é o que a ciência já comprovou há muito tempo.

A sexualidade faz parte da vida humana, animal e até vegetal, não é à toa que é através do sexo que é possível perpetuar as espécies. E viver sem isso é algo que realmente torna a vida de qualquer pessoa, no mínimo, menos saudável e interessante.

Se as pessoas fizessem sexo com mais frequência certamente o mundo seria um lugar beeeeem melhor de se viver. Por isso, a partir de agora, estou lançando a campanha: Faça sexo e ajude o mundo a melhorar!

Sexo, pra mim, é uma coisa tão bonita, divina e vital quanto o amor, por isso, nada mais natural que eles interajam entre si de maneira tão única e poética.

Escuta a Rita Lee aí, que ela fala por mim…

Roberta Simoni