Hora de aterrisar?

“Talvez valha mais uma Beta voando do que mil Betas com os pés no chão…”

Asas de Anjo

Talvez não. Ou talvez valha só até um determinado estágio da vida. Talvez tenha deixado de valer muito tempo atrás e eu não me dei conta. Talvez não haja lugar para asas imaginárias na vida real, ou talvez haja, vai saber…

Só vivendo. Só experimentando. Só arriscando. Só voando. Só ousando continuar o vôo quando tudo na terra tenta me puxar para baixo; quando os meus pés são atraídos pelo chão como se houvessem imãs grudados na sola do meu sapato; quando as minhas asas sofrem fraturas expostas ao voarem na direção oposta do vento…

Talvez o meu corpo acumule menos cicatrizes se eu conseguir fincar meus pés no chão de uma vez. Quem sabe eu não ganhe uma vida mais longa e saudável? Pode ser que seja mais seguro descer e tentar marchar na mesma direção que as “mil Betas” com os pés no chão.

Manter-me aqui no alto fica cada vez mais difícil. Toda vez que eu olho para baixo vejo o quanto as coisas aqui em cima são diferentes de lá, e me dou conta do abismo que existe entre as minhas asas e os meus pés.

Tudo bem, eu desço, minhas pernas forçam meus pés para baixo e me vencem pelo cansaço. Mas, espera!!! As minhas asas fraturadas ainda têm forças e me puxam de volta para cima (elas também têm um imã com as nuvens!). E lá se vai a Beta voando outra vez…

Roberta Simoni