Ok, eu paro!

Cheguei em casa hoje na mesma ligeireza de quase todos os dias, da qual pressinto que o porteiro noturno do meu prédio jamais se acostumará – “Que isso, meu-deus-do-céu?” – foi o que ele exclamou, depois de me ver entrar e sair pela portaria pela terceira vez num espaço de poucos minutos. Primeiro entrei correndo, tentando me equilibrar naqueles odiáveis saltos altos dos quais eu também acho que jamais me acostumarei, assim como o porteiro, com a minha habitual correria. Entrei no elevador, subi recuperando o fôlego, abri a porta, sequer cumprimentei a minha casa (como faço de costume) e espero que ela não tenha ficado ofendida, pois assim como eu desejo várias vezes por dia chegar e encontrá-la à minha espera, eu imagino que ela se sinta vazia e silenciosa demais até que eu chegue me espalhando, contando os meus “causos” diários e colocando música para ouvirmos juntas para espantar a solidão que vive à espreita.

Felizmente o elevador ainda estava no meu andar, parecia me esperar. Tomei-o de volta, desci para encontrar o meu colega de profissão que, mais uma vez, me emprestou uma câmera fotográfica para cobrir meu último trabalho (pois é, Nikita continua em coma!), e ele ainda fez a gentileza de vir ao meu encontro para pegá-la de volta comigo. O porteiro soltou um “Mas, já?”, surpreso quando me viu passar pela portaria outra vez. Não tive tempo de responder. Detesto deixar as pessoas me esperando. Simplesmente detesto. Devolvi a câmera e falamos rapidamente sobre o trabalho, pois ele estava com pressa, como de costume. Talvez tenhamos escolhido a profissão errada… ou não. Pensando bem, até que fazemos bem o “tipo jornalista”, sempre acelerados. Se quiséssemos ter uma vida tranqüila, teríamos optado pelo surf, ou talvez estaríamos pescando ou, quem sabe, não teríamos nos profissionalizado em futebol de botão?

Voltei, ainda no mesmo ritmo. “Ué?” – o porteiro, outra vez, com pontos de interrogações quase visíveis saltitando de sua cabeça. Prometi que seria a última vez que ele me veria por hoje e desejei boa noite. A pressa agora era por conta das matérias que eu tinha me programado para escrever ainda hoje, essas mesmas que mandei para o meu e-mail do trabalho, com a intenção de terminá-las em casa. Mas – que maravilha! – fiquei sem internet. Ai ai… seres humanos e essa insistente mania de planejar as coisas. Tudo bem, olhei para o livro que estou me arrastando para terminar de ler há semanas, já até comecei a ler outros, mas este eu estava com uma dó enoooorme de acabar e preservei intactas as últimas páginas, coisa que não acontecia desde que eu li o livro da Fal – Minúsculos Assassinatos e Alguns Copos de Leite (falo dele aqui oh!).

Vamos nessa! Mais cedo ou mais tarde isso teria de acontecer, não é mesmo? – falei com pesar, tentando convencer a mim mesma, enquanto olhava para “A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Babata”, da americana Mary Ann Shaffer – que morreu antes de ver o sucesso do romance, que foi escrito com apoio de sua sobrinha Annie Barrows.

Não posso dizer que tive um dia ruim, muito pelo contrário, apesar de cansativo, foi bom, mas nada, nada pode se comprar a sublimidade deste momento. Eu, agarrada ao meu livrinho, debaixo do cobertor, em meio à gargalhadas e encantamento puro. Que delícia de leitura,  já quero – e preciso – relê-lo. E, vejam vocês, toda essa estória de portaria, correria e porteiro só para contar isto.

Me perdoem, queridos leitores, se esperavam mais do desfecho chinfrim dessa estória que prometia um final surpreendente. Mas é que eu continuo me surpreendendo muito com quase nada – e quase nada com muita coisa.

E eu prometo que vou voltar a escrever na sessão “Beta Indica…” do blog, que não atualizo há muitos, muitos meses e lá darei detalhes sobre esse deleite de romance, contado inteirinho através de correspondências de dar água na boca, uma coisa! Tenho um listinha literária simplesmente tão deliciosa quanto eu imagino que seja essa torta de casca de batata.

Mais correria e menos literatura é o que  eu prevejo pelos dias seguintes, então,  foi mais do que merecido esse meu momento lírico cada vez mais raro, não é mesmo? E fica aí a dica literária da vez… enjoy! 😉

Roberta Simoni

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A simplicidade de ser/estar viva!

E era simples. Bastava dar literatura a ela e lançá-la à beira-mar antes que o sol desse lugar à noite. De nada mais ela se queixava e até duvidava se você ousasse dizer que ela tinha problemas tantos a resolver. E corajoso do sujeito que tentasse lembrá-la de seus afazeres, que estivesse preparado para ser sumariamente ignorado ao alertá-la da casa e da vida bagunçadas para arrumar, o barulho das ondas quebrando era estrategicamente ensurdecedor.

E era paz. A moça tagarela se calava para ouvir, só assim. E tudo ao redor falava, o livro, o mar, a maresia, as conchas, os grãos minúsculos de areia quando a tocavam. Era o “Deus” dela que conversava quando a calmaria chegava. E ela se escutava. E confidenciava seus segredos ao pé do ouvido do vento, que soprava mansinho para ela não perceber que cochichava com as aves.

E era real. Tocava os pés na água salgada e fria e se encharcava da sensação  maravilhosa que era ter um corpo com sentidos. Sentia-se deleitamente viva e conectada com o mundo bom. E não se envergonhava do prazer exposto ao sol, quando a pele arrepiava seus pêlos com a brisa fria que o fim da tarde trazia e o sol ameno a envolvia num abraço que a aquecia em puro gozo. Depois sorria largo, sem se importar, sem direção, mas com todas as razões que lhe cabiam. E também ria solto pelo que desconhecia, mas sentia. E  ela bem sabia o que sentia.

Roberta Simoni

(Recebi essa foto do Marcelo, lá de Brasília, novo amigo que fiz bem aí, nessa praia, enquanto eu lia meu livrinho. Ele teve a feliz ideia de tirar essa fotografia antes mesmo de me conhecer, e depois teve a coragem de me contar seu feito arteiro, e agora, por fim, me mandou a foto de presente, que me encantou por ser um retrato espontaneamente poético. ;))

Pinto no Lixo (ou Beta no Sebo)

O que é isso? Um pinto no lixo? Nãããão, é só a Beta no Sebo…

É desse jeitinho mesmo que eu estou me sentindo essa semana: um pinto no lixo! Não bastava estar contente por ter conseguido mudar de cidade (sim, outra vez!) e estar morando num cantinho muito agradável, ainda que temporário (como não poderia deixar de ser…), depois de passar quase 6 meses vivendo num lugar que eu aboninava, tamanha foi a minha felicidade ao descobrir que bem ao lado da minha nova toca tem um lugar mágico, também conhecido como Sebo!

Mas não é um sebo qualquer, é um lugar adorável, desses que você entra e não quer nunca mais sair. Eu moraria entre aqueles livros se não me cobrassem aluguel.

Mas, por hoje, o sebo já fechou e, a essa altura, algumas várias malas me aguardam, com algumas várias roupas dentro, que esperam ansiosas por viver dentro de um armário com algumas várias gavetas, depois de tanto tempo brigando por espaço dentro daquelas algumas várias malas. Pois é, eu ainda não tive coragem de avisá-las que o armário é temporário, deixo que curtam sem se preocuparem tanto com o amanhã. Eu e elas, todas feito pintinhos no lixo!

Para a euforia ficar completa, o que eu vejo da minha nova Janela de Cima ao acordar? O Corcovado, com um moço bonito, de braços abertos pra mim.

Impossível não me sentir abraçada por livros, armários e Cristos.

Roberta Simoni

Um pouco mais de Kundera…

Milan Kundera(…) No começo do Gênese, está escrito que Deus criou o homem para que ele reine sobre os pássaros, os peixes e os animais. É claro, o Gênese foi escrito por um homem e não por um cavalo. Nada nos garante que Deus quisesse realmente que o homem reinasse sobre as outras criaturas. É mais provável que o homem tenha inventado Deus para santificar o poder que usurpou sobre a vaca e o cavalo. O direito de matar um veado ou uma vaca é a única coisa sobre a qual a humanidade inteira manifesta acordo fraterno, mesmo durante as guerras mais sangrentas.

Esse direito nos parece natural porque nós é que estamos no topo da hierarquia. Mas bastaria que um terceiro se intrometesse no jogo, por exemplo, um visitante vindo de um outro planeta a quem Deus tivesse dito: “Tu reinarás sobre as criaturas de todas as outras estrelas”, para que toda a evidência do Gênese fosse posta em dúvida. O homem atrelado a uma carroça por um marciano, eventualmente grelhado no espeto por um habitante da Via Láctea, talvez se lembrasse da costeleta de vitela que tinha o hábito de cortar em seu prato e pediria (tarde demais) desculpas à vaca.”

(trecho do livro A Insustentável Leveza do Ser – Milan Kundera)

Pois é, pois é… não é à toa que eu “pago um pau” pro Kundera!  E isso é só uma pequena mostra do que é esta arte, que eu gosto de chamar de “Kunderar”, que quanto mais eu conheço, mais eu gosto… e quero mais!

Terminei de ler A Insustentável Leveza do Ser hoje, com muito pesar, já sentindo saudades da companhia do livro, da trama, dos personagens… afe! Eu queria tanto aprender a me apegar menos a tudo: pessoas, bichos, lugares, cheiros, gostos, passados, palavras, lembranças…

Mas como esperar desapego de uma criatura que se afeiçoa até com personagens fictícios…?

Roberta Simoni

A essencial essência

Livros

Hoje, sem querer, acabei descobrindo um sebo no meu bairro. Eu tinha algo em torno de vinte centavos no bolso, mas não resisti e entrei na loja. Sabia que não podia comprar nada com aquela quantia, mas sebos me atraem como se tivéssemos um imã.

Como todo sebo que se preze, este era perfeitamente desorganizado e tinha cheiro de coisa antiga. O perfume mofado daquele ambiente me despertou – além de alguns espirros alérgicos – doces e antigas recordações, que de tão antigas estavam se tornando desconhecidas. Retornei às “dezenas” de casas que morei com minha família durante a minha infância, lembrei do meu pai em suas madrugadas insones, acompanhado de cigarros e livros, e da minha mãe quase me implorando para que eu fosse dormir enquanto eu lia revistinhas em quadrinhos madrugada adentro. E isso me fez lembrar que a insônia e eu somos companheiras de longas datas…

Lembrei que a minha mãe sempre me seduzia com alguns cruzeiros que eu gastava na banca mais próxima à loja onde ela trabalhava, comprando gibis que me entretinham a tarde inteira.  Lembrei que eu levei anos até deixar que ela doasse aquelas revistas empilhadas numa cesta que ocupou um espaço no canto do meu quarto durante tanto tempo. Lembrei das prateleiras abarrotadas de livros da casa dos meus pais, que só fizeram crescer ao longo desses anos, e me dei conta de que estou criando o mesmo hábito.

O cheiro de passado entranhado em cada livro daquele sebo era mais do que familiar, era aroma palpável que dizia muito sobre mim. Era parte essencial das lembranças que estavam esquecidas em alguma prateleira antiga.

Folheei revistas e livros antigos e mexi nos discos de vinil da mesma forma que saboreio um pedaço de chocolate. Era a nostalgia que estava me atraindo e me seduzindo, era o passado pedindo para não ser esquecido, era a saudade carente de uma infância feliz e era também uma parte da minha essência querendo ser lembrada através de objetos, cheiros e lembranças.

Talvez não sejam só os livros do sebo que me atraiam, mas o passado que eu revivo quando entro lá, que sempre me seduz para que eu não ouse esquecer do que é importante ser lembrado.

Preciso urgentemente que alguém impeça a digitalização dos livros, por favor! Não duvido de sua praticidade e eficácia, mas livros eletrônicos não têm cheiro de poesia, não têm rabiscos nas páginas, e nem páginas de papel têm. Menos ainda têm o charme, o porte e a elegância de um senhor livro. Eu não me importo de usar objetos ultrapassados, afinal, também estou ficando ultrapassada, e não venha me dizer que perdi todo o meu charme por conta disso… 😉

E você, no que é ultrapassado? Quais são os cheiros que te trazem lembranças? E sua essência? Também anda esquecida em algum canto cheio de mofo por aí?

Roberta Simoni

Que livro você é?

Quando eu comecei a ter acesso a internet (lá nos primórdios dos tempos), eu costumava fazer tudo quanto era teste que encontrava pela frente. Os de QI e de sanidade mental eram os campeões. Bom, quanto aos resultados, é melhor não comentar (:-p). Sei que nunca mais me interessei por nenhum, em parte pelo meu ceticismo, em parte pela falta de testes interessantes. Até que, essa semana, um me chamou atenção: Que livro você é? 

Segundo o teste, se eu fosse um livro, eu seria:

Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.

Machado de Assis“Ok, você não é exatamente uma pessoa fácil e otimista, mas muita gente te adora. É possível, aliás, que você marque a história de sua família, de seu bairro… Quem sabe até de sua cidade? Afinal, você consegue ser inteligente e perspicaz, mas nem por isso virar as costas para a popularidade – um talento raro. Claro que esse cinismo ácido que você teima em destilar afasta alguns, e os mais jovens nem sempre conseguem entendê-lo. Mas nada que seu carisma natural e dinamismo não compensem.
“Memórias póstumas de Brás Cubas”
(1881) é considerado o divisor de águas entre os movimentos Romântico e Realista. Uma das expressões da genialidade de Machado de Assis (e de sua refinada ironia), há décadas tem sido leitura obrigatória na maior parte das escolas e costuma agradar aos alunos adolescentes. Já inspirou filme e peças de teatro. É, portanto, um caso de clássico capaz de conquistar leitores variados. Proezas de Machado.”

Gostei do livro, foi um dos primeiros que li na vida. E a descrição… hummm… digamos que me cai bem, a não ser a parte que fala do cinismo ácido que eu destilo, é claro. Hahahaha!

E você? Que livro é?

Roberta Simoni

“Favelado Milionário”

JamalEu comentei há alguns posts que ando numa fase devoradora voraz de filmes e livros, e, a fim de compartilhar alguns dos meus livros favoritos, criei até uma sessão aqui no blog dedicada a eles (Beta Indica…), que ainda está “em construção”, mas já dá para tirar proveito de alguma coisa por lá…

No entanto, pouco falei até agora dos filmes que tenho assistido, e não são poucos, tanto que a moça que vende os ingressos no cinema mais próximo já está virando minha amiga da infância, a moça da padaria aqui da esquina também, e ainda tem a senhorinha do restaurante da rua aqui de trás. Só não rolou ainda muita afinidade com as recepcionistas da academia, nem com os professores, nem imagino o motivo, mas…

Bom, pensando bem, acho que não tenho comentado nem indicado nenhum filme aqui porque tudo que eu tenho visto me parece tão igual, tão pouco inovador e inspirador, que sempre saio do cinema pensando: “é… mais uma comédia romântica legalzinha; mais um filme de ação parecido com todos os outros; mais um filminho água-com-açúcar…”. Talvez eu esteja escolhendo os filmes errados para assistir, ou talvez o mercado cinematográfico esteja mesmo saturado, ou as duas coisas. Mas, em meio a tanto “lugar comum”, somos brindados com o filme Quem quer ser um milionário? , que finalmente conseguiu saciar a minha fome de filme bom…

O título do filme não me chamou muita atenção, na verdade, não chamou nenhuma. “Quem quer ser um milionário?”, na verdade, foi a tradução do título para português, que se fosse traduzido ao pé da letra seria “Favelado Milionário”, mas aí, já sabe, né? Entraria Diretos Humanos na jogada, e o filme, provavelmente, não bateria recordes de bilheteria…

Resumindo muito, trata-se da história de um jovem indiano muçulmano chamado Jamal, que participa de um programa de perguntas e respostas com 10 milhões de rúpias em jogo (similar ao nosso antigo “Show do Milhão“). Cada pergunta  remete o jovem ao seu passado de lembranças dolorosas, retratadas de maneira chocante, surpreendente e doce, com imagens que contrastam  lama, sujeira, lixo, e beleza, sinceridade, obstinação. Preciso dizer que fiquei a-pai-xo-na-da pela fotografia do filme?

Como a Índia está na moda, confesso que fiquei com o pé atrás com o filme, mas, felizmente, a Índia da moda é absurdamente diferente da que é mostrada no filme… não é a Índia dos rajás da novela global, não… é a Índia de verdade.

Então, amigos leitores, colegas curiosos e fuxiqueiros plantonistas, fica aqui a minha dica de um filme capaz de criar um paralelo com a realidade do nosso país, guardadas as devidas proporções – culturais, principalmente – é claro. Sem dúvidas, o melhor que vi esse ano, repleto de cenas ricas de poesia e aprendizado, que dificilmente sairão da minha memória. E, preparem-se, pois vai doer. Mas, não se preocupem: é aquele tipo de dor que faz a gente aumentar de tamanho – humanamente falando.

Para ver o trailer do filme, clique aqui.

Roberta Simoni

Obrigada Fal…

Minúscilos Assassinatos e Alguns Copos de Leite

Eu sinto uma espécie de gratidão pelos escritores dos livros que leio, quase sempre é assim. A não ser quando largo a leitura pela metade, ou até mesmo quando estou quase no fim do livro e sequer fico curiosa para saber o que acontece no final, e o lanço em algum canto da casa até ficar esquecido e empoeirado. Normalmente, quando isso acontece, é porque eu me esforcei o bastante para entender, sentir ou gostar do livro, absolutamente em vão, e então eu o abandono, sem o menor peso na consciência. Felizmente isso é coisa rara de acontecer.

E com a as palavras da Fal Azevedo não poderia ser assim, impossível. Quando comecei a me envolver com o livro Minúsculos Assassinatos e Alguns Copos de Leite, logo de cara, li até a metade, e quando percebi que só faltava a outra metade para acabar, resolvi parar.

Parei porque estava bom demais e eu não queria que acabasse tão rápido. É como um momento de felicidade que a gente sabe que não vai durar para sempre, e teme, fazendo de tudo para que se prolongue e dure o máximo de tempo possível. Besteira! Comecei a ler outros livros, mas não adiantou, eu já estava envolvida com o outro, e tive que voltar para os braços dele. Foi o que eu fiz. E foi muito bom enquanto durou.

A contracapa do livro diz que “Não é comum o surgimento de uma voz literária genuinamente única. Fal Azevedo é um desses casos raros.” Concordo absolutamente.

Mas quem sou eu para falar de Literatura? Uma simples leitora, expectadora dessa arte indescritível, assumidamente viciada nos últimos tempos, que hora anda com a cara enfiada em livros, hora escrevendo seus devaneios, quase incapaz de se aprofundar em qualquer uma dessas coisas, porque talvez tenha medo de saber demais, de aprender demais, e não saber o que fazer com tudo isso, com tanta informação, com tanto sentimento. Mas, ainda assim, se sente capaz de indicar a leitura dessa verdadeira obra literária, e indica de olhos fechados, sem medo de errar.

Numa dessas tardes chatas de domingo, enquanto o André estudava qualquer coisa no computador, eu me encontrava jogada no sofá, lendo o livro da Fal. Pelo menos era onde eu estava fisicamente, porque àquela altura eu já estava absolutamente inserida no contexto do livro, às vezes, às gargalhadas, outras vezes, porém, aos prantos. Que delícia!

Até que, depois de me ver chorar aos montes, André, me olhando assustado, comentou – “Nossa, esse livro é pesado, heim!”. E eu respondi – “Pelo contrário, ele é leve, mas profundo, e tudo que é profundo emociona muito e profundamente, mesmo que, aparentemente, seja algo tão simples.”

É assim que eu defino este livro. Ele é, ao mesmo tempo, arrebatador e delicioso.

E como eu poderia ser ingrata àqueles que me proporcionam tantas emoções? Tantas descobertas, revelações, tantas transformações… Certas leituras, assim como certas experiências, me transformam, me fazem experimentar sensações como se eu as tivesse vivendo. E tudo isso é tão divino.

Por isso, obrigada Fal, muito obrigada.

Roberta Simoni

Para obter mais informações sobre este livro, clique aqui.